Socialistas confiantes apostam tudo no contacto direto no distrito

A campanha para as autárquicas arrancou terça-feira, com ritmos e expetativas diferentes. É assim a cada ciclo eleitoral. Há algumas disputas mais acesas. As equipas do Semmais foram para o terreno espreitar algumas das ações de rua socialistas e medir o pulso aos ambientes.

Almada, Inês de Medeiros

“Onda crescente para que Almada não volte atrás”

Na campanha do PS em Almada não há sombras a pairar… A confiança é a nota dominante e a recandidata Inês de Medeiros, que há quatro anos fez história a conquistar este concelho ícone dos comunistas, marca o ritmo. “Quando se ouve as pessoas nas ruas, sente-se uma onda crescente. Os almadenses não querem voltar para trás”, atira aos jornalistas que acompanham a arruada no Laranjeiro.

A autarca parece ter-lhe tomado o gosto e transfigura-se neste palco de contatos diretos com a população. É ela que marca todos os ritmos, ainda que os ‘jotas’ entoem, de quando em vez, loas à candidata socialista àquela freguesia: “braços no ar, todos de pés, Cátia Quintela olé, olé…

Ainda não deu meia dúzia de passos e já foi travada por quatro vezes. São os pedidos usuais nestas andanças. Ester da Conceição, uma idosa de 72 anos, precisa de um poliban na sua habitação, outra precisa mesmo de casa, e as reabilitações em fogos degradados avolumam as conversas. Há até uma outra senhora de idade que vive num T4 e quer agora uma casa mais pequena, porque já nenhum dos seus filhos vive com ela.

A candidata ouve, carrega o semblante, tenta perceber as situações e afiança respostas. E porque a caravana socialista tem que seguir, socorre-se da vereadora Teolinda Silvestre, que identifica os processos e aponta os pedidos. Afinal, a habitação é uma das suas bandeiras, já que para além da reabilitação “já em curso neste mandato” e que deverá atingir sete centenas de fogos nos próximos anos, como afirma, pretende construir 3500 casas com o IRHU no Plano Integrado de Almada, mais 450 novos fogos no parque habitacional municipal e outras iniciativas.

Inês de Medeiros está como peixe-na-água, solta-se junto a um casal que vem à janela para a saudar, acena a condutores que lhe garantem o voto. E embrenha-se num bairro social, onde se ouve a “Internacional Socialista”.

A aceitação é total. E o ânimo cresce a cada contato, sempre com explicações demoradas por parte da presidente socialista. “O otimismo é muito grande”, garante. “Sem euforias”, amornece Artur Cortês, um socialista da velha guarda que já foi candidato ao município. Mas desta vez, mais que há anos atrás, sente-se nas ruas “um cheirinho a vitória”, acrescenta.

 

Barreiro, Frederico Rosa

“Sente-se a dinâmica de uma grande vitória”

No Barreiro, Frederico Rosa, está muito mais confiante que há anos atrás, quando conquistou à CDU um dos bastiões comunistas. Na arruada dos Castilhos, na freguesia do Seixalinho, Santo André e Verderena, o recandidato desalinha a comitiva e desdobra-se em contatos diretos. Acena a condutores, demora conversas com populares e diz ao Semmais que “o cartão de vista para estas eleições é a obra do mandato”.

É um fim de tarde sem muita gente na rua, mas os cafés estão abertos e entregam-se flyers. A receção é boa, a aceitação também parece. Lino Faustino, proprietário do “Café Gulbenkian” está entusiasmado e garante o voto, tal como aconteceu “nas últimas eleições”, e explica porquê: “Foi uma aposta acertada, porque esta câmara mudou o Barreiro e apoiou mais o comércio”, explica.

Os clientes também parecem anuir a Frederico Rosa, com a ideia, mais ou menos comum de que “estava tudo muito estagnado e era preciso mais garra e vontade de mudar”, como sugere à reportagem do Semmais um jovem, que pediu anonimato.

Um ou outro automóvel faz soar a buzina, o presidente acena, num ambiente que dá sinais: “Há quatro anos havia um sentimento de mudança, mas as pessoas não se manifestavam tanto, agora sente-se esse apoio mais declarado”, garante.

Sem medo da abstenção, que em 2017 caiu 7%, Frederico Rosa promete uma campanha em crescendo até dia 24, nas redes sociais e, sobretudo no contato com as pessoas, porque, como refere, “desta forma mede-se melhor o pulso a esta dinâmica que nos vai dar uma grande vitória”.

 

Palmela, Raul Cristóvão

“Os sinais que temos dão grande confiança”

Com o auditório da Biblioteca do Pinhal Novo bem composto, o candidato socialista à câmara de Palmela, Raul Cristóvão, que vai a votos pela segunda vez, deixa um sinal de “grande confiança”.

É a apresentação oficial da candidatura, para nos próximos dias se seguir o contato direto com os eleitores, que têm mostrado boa aceitação, segundo diz. “Estamos mais maduros que há quatro, com um projeto ainda mais elaborado, fruto da experiência deste ciclo autárquico e um programa que vai ao encontro das necessidades das pessoas”, acrescenta o candidato do PS.

Mas há muito trabalho de campo já realizado, como dezena e meia de reuniões com associações e entidades locais e “uma campanha sempre pela positiva”, adianta Raul Cristóvão.

Nem mesmo as “sondagens carregadas de erros técnicos” abalam o socialista cheio de vontade de somar ainda mais votos que há em 2017, quando a candidatura por si encabeçada retirou a maioria absoluta à CDU. E diz mesmo que é tempo de mudança, porque Palmela “precisa de investimento e o presidente tem que ser um embaixador junto do poder central e a nível internacional para colocar as potencialidades do município num plano superior”.

Nesta campanha, a marcar a diferença, nem mesmo comissão de honra foi desenhada. Cristóvão prefere dizer que “os mais de 50 mil eleitores do concelho representam esse papel”.

 

Seixal, Eduardo Rodrigues

“Sem dúvidas que desta vez vamos mesmo ganhar”

A confiança é a tónica junto da candidatura do PS, encabeçada por Eduardo Rodrigues, que no arranque oficial da campanha inaugurou uma sede nas Paivas. Foi perante algumas dezenas de apoiantes que o candidato, emocionado, garantiu “uma grande vitória”. “Não tenho dúvidas que desta vez vamos mesmo ganhar”, atirou.

Com uma campanha articulada até ao momento nas redes sociais, onde os socialistas garantem estar “a 100 por cento”, Eduardo Rodrigues lembra que o projeto “é agora mais maduro” o que, sublinha, concorre para que hoje os eleitores tenham “mais confiança”. “Há gente da CDU e do PSD a garantir o seu voto e a dar a cara, quando em 2017 eram apoios mais em voz baixa”, afirma o candidato.

As ferramentas também são mais robustas. A candidatura fez chegar à casa de todos os seixalenses um jornal com as propostas e os candidatos, numa tiragem de 85 mil exemplares. E há flyers para entregar nas arruadas. Segundo Eduardo Rodrigues, agora é “o contato direto e o porta-a-porta, até ao “grande encerramento da campanha”, previsto para dia 24 no Largo da Igreja do Seixal.