Crise dos combustíveis representa mais uma machada no setor das pescas

A cooperativa Sesibal teme que cerca de duas centenas de famílias possam ser afetadas devido à paragem da frota. Profissionais do setor aguardam há seis meses por estudo do Governo que prometeu encontrar melhorias fiscais.

A atividade regular da frota da Sesibal, a cooperativa pesqueira que junta embarcações de Sines, Sesimbra e Setúbal, está em risco. O aumento do preço dos combustíveis ameaça deixar as traineiras nos cais. O valor do pescado nas lotas, dizem os pescadores, mesmo tendo aumentado, não chega para cobrir o diferencial do aumento do gasóleo.

“Já há traineiras que não se fazem ao mar e outras que em vez de andarem atrás dos cardumes não o fazem como era habitual. As nossas embarcações dedicam-se à pesca de sardinha, carapau e cavala (espécies que de acordo com o Observatório Europeu do Mercado dos Produtos de Pesca e da Aquacultura são, respetivamente, a primeira, terceira e quarta com maior valor comercial). Isso obriga a andar em movimento, até descobrir os cardumes e os poder pescar. Significa despesa grande em combustível”, disse ao Semmais o presidente da cooperativa, Ricardo Santos.

“O problema do aumento do combustível é apenas mais um que se junta aos que já existiam, e que têm a ver com falta de gente para as tripulações, sobretudo de jovens que queiram seguir a vida da pesca, e também as dificuldades para escoar o pescado, principalmente quando as capturas são grandes”, adiantou o mesmo responsável.

 

Sustento de duas centenas de pescadores em risco

Atualmente a Sesibal tem 12 traineiras ao serviço (três de Setúbal, sete de Sesimbra e duas de Sines), sendo que cada uma dessas embarcações tem uma tripulação composta por 20 pescadores. “Fazendo as contas, podem ser perto de 200 pescadores e respetivas famílias que estão em risco”, adiantou o presidente da cooperativa.

Ricardo Santos recordou que há cerca de seis meses, “quando o preço do gasóleo era 40 cêntimos mais barato, por litro, do que hoje, os profissionais do setor avisaram o Governo para a necessidade de se tomarem medidas de apoio, uma vez que muita gente já sentia dificuldades”. “Sugerimos, entre outras coisas, que se fizessem melhorias na área fiscal. O Governo disse que iria fazer um estudo e que depois apresentaria os resultados, mas até hoje continuamos à espera. Ainda não temos conhecimento do resultado do tal estudo nem das medidas que nos iriam propor. Na verdade, também não temos Governo. O que temos é uma catástrofe anunciada para a economia da pesca”, afirmou.

O presidente da Sesibal diz, por fim, que a própria atividade pode estar definitivamente em risco no distrito. “A média de idades dos pescadores é muito elevada. Os jovens não estão convencidos a fazerem a vida do mar. Ganha-se pouco”, conclui.