Subida do preço dos vinhos da península pode chegar aos dez por cento

A região de Setúbal deve acompanhar o aumento previsto para todo o país. A subida dos preços da energia e dos combustíveis, devido à guerra na Ucrânia, é a responsável.

O preço médio do vinho pode subir, dentro de semanas, cerca de dez por cento. É uma consequência do aumento dos combustíveis, em resultado da guerra na Ucrânia, e que tem contribuído para o acréscimo dos custos de produção. O distrito de Setúbal não deverá ser exceção à regra nacional.

“Não existe nenhuma decisão em termos coletivos, devendo os eventuais aumentos serem da responsabilidade de cada um dos produtores”, disse ao Semmais o presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), Henrique Soares.

Para este responsável “o vinho não é uma ilha na economia nacional” e, “apesar de na região de Setúbal a tendência dos últimos anos até ser a da redução dos preços, uma eventual subida na ordem dos 10 por cento, conforme é estimado a nível nacional, talvez nem corresponda ao aumento dos custos de produção, que serão mais elevados. Talvez esses 10 por cento estimados até sejam pouco e sirvam apenas para amortizar um primeiro impacto causado pelo aumento generalizado dos custos de produção”.

 

CVRPS diz que despesas podem manter-se algum tempo

Henrique Soares diz que, para já, não se coloca a possibilidade de o eventual aumento do preço do vinho vir a resultar na diminuição de postos de trabalho ligados ao setor. “Não há, para já, fecho de empresas, mas temos de ter em consideração que os custos associados a esta atividade podem perpetuar-se no tempo. Não sabemos quando termina a guerra e quais as consequências económicas que ainda estarão para vir”, sublinhou.

O presidente da CVRPS lembrou também que, para além das despesas relacionadas com os combustíveis, os custos da energia elétrica são dos que mais encarecem o produto final. “A cadeia começa na vinha, com a rega, que tem custo elevado. Depois há toda a energia consumida durante a vindima, seguindo-se os custos associados às operações efetuadas nas adegas”, referiu.

Para além dos gastos relacionados com a energia elétrica e o combustível há despesas acrescidas para os produtores relacionados com rolhas, vidros, cartão, papel, transportes rodoviários, fretes de meios aéreos e de transportes marítimos.