Em declarações ao Semmais o especialista em doenças infeciosas, José Poças, defende que devem ser fabricadas novas vacinas com base nas estripes atuais.
Os congestionamentos que se têm verificado nos hospitais do distrito nas últimas semanas não são consequência do aumento exponencial de doentes com Covid-19, mas antes da falta de médicos e enfermeiros.
“O principal problema, no distrito de Setúbal e na generalidade do país, não é a pandemia. A situação geral é má há muito tempo e só tem vindo a piorar”, disse ao Semmais o especialista em doenças infeciosas do Hospital de Setúbal, José Poças.
Descartando qualquer sinal de alarme em relação às filas que se vêm formando nas urgências hospitalares (na passada semana, por exemplo, houve doentes que tiveram de aguardar mais de três horas, por vezes nas ambulâncias, para serem atendidos), o médico considerou que há diversos fatores a ter em conta, sem que nenhum seja mais crítico do que a falta de pessoal clínico e auxiliar.
“Não tenho dados exatos do número de pessoas que se têm dirigido aos hospitais, quer estejam infetados, sejam doentes da Covid ou que se deslocam apenas para serem assistidos, por suspeita”, adiantou José Poças. “O que sei é que o problema da falta de pessoal em quase todas as especialidades é uma questão que já se arrasta há muito tempo e que tem, naturalmente, reflexo no atendimento”, acrescentou.
Nos hospitais do distrito têm sido frequentes as reclamações devido à falta de pessoal. Os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros e as comissões de utentes desdobram-se em comunicados e requerimentos entregues aos conselhos de administração e à tutela. No entanto, os valores pagos continuam a ficar muito aquém do setor privado.
O infeciologista disse depois que, pelo que tem apurado, o número de pessoas que “têm Covid-19 é residual”. “Uma coisa são os infetados e outra são os doentes portadores da doença. A percentagem destes é residual”, acrescentou.
José Poças critica, no entanto, a falta de dados estatísticos que possam permitir aos clínicos terem uma noção mais exata da situação. “Os casos que vão sendo anunciados tem uma falibilidade enorme, uma vez que tudo deixa entender que os números reais são bem superiores. Creio que neste momento temos um espelho deturpado da realidade”, explicou.
O médico salientou depois que a nova variante da Covid-19 é muito mais transmissível do que as anteriores, lembrando que apesar de o grau de vacinação entre a população do distrito ser muito elevado, é possível que a eficácia já não seja a mais desejável. “As vacinas ministradas foram feitas com base na primeira estripe. Quanto a mim precisamos de vacinas novas e feitas com base nas novas estripes”, salientou.



