Clara Silva conquista prata no mundial de jovens de Jiu-jitsu

“Mini-Máquina”. É assim que é conhecida Clara Silva, a jovem atleta de jiu-jitsu da Academia Pantera Negra do Pinhal Novo, pelo que já conseguiu conquistar, tanto a nível nacional como internacional na modalidade, com apenas 14 anos.

Recentemente, a atleta esteve em Abu Dhabi para competir no World Youth Jiu-Jitsu Championship, onde conquistou a medalha de prata no escalão Teen Feminino, cinto Laranja/Verde, 36kg. Apesar do bom resultado, a esperança que tinha para a competição era outra. “Tinha grandes expetativas. Acreditava que conseguia chegar ao ouro”, refere a atleta em conversa com o nosso jornal.

A ambição de chegar ao lugar mais alto do pódio era alimentada pelo facto de já ter conquistado o ouro nesta competição em 2019. “Na altura estava mais nervosa. Estava mais de pé atrás com a prova. Ter vencido a medalha de ouro foi uma grande surpresa. Não estava mesmo à espera”, recorda Clara Silva.

Rafael Gonçalves, professor na Academia Pantera Negra que tem acompanhado o trajeto da atleta, compreende as expetativas que a mesma tinha, mas, ainda assim, faz-lhe rasgados elogios. “A Clara é muito focada. Tem uma aprendizagem muito fácil e tenta sempre ir à procura de mais. Ela trabalha muito e é um exemplo”, sublinha.

O responsável enalteceu ainda a forma como a desportista, apesar de ter ficado desiludida com o resultado, reagiu à derrota. “Estamos a falar de uma atleta muito jovem, que estava sozinha e teve nessas condições de enfrentar a competição. Falei mais com ela talvez após esta derrota, do que quando ganhou o ouro. Aqui enfatizamos sempre que, em algum momento, vamos cair, não podemos ganhar sempre. Importante é conseguirmos levantar-nos e continuar”, conta o professor.

Estas e outras conquistas de Clara são elevadas a contornos mais épicos porque, segundo nos contam Rafael Gonçalves e Luís Silva (pai da atleta), esta tem por hábito lutar contra adversários, que apesar de terem a sua idade, são maiores e mais pesadas, o que em desportos de combate pode fazer toda a diferença. “A Clara já chegou a lutar contra atletas que pesam mais dez ou 15 quilos que ela” refere o professor, explicando que, mesmo assim, procura adaptar a estratégia de combate a essas circunstâncias. “Talvez seja por isso que ela tem de ser assim tão intensa, tão agressiva. Nós até dizemos a brincar que ela parece uma pulga, não para quieta até mandar as outras ao chão”, conta.

Dedicação começou aos cinco anos

Com apenas cinco anos, Clara começou a praticar a modalidade por influência do irmão e até acabou por contagiar o pai que também está na Academia Pantera Negra. “Nunca a forçámos a fazer nada. Ela está aqui porque gosta mesmo disto e quer ir sempre mais além” refere o pai. A Família, juntamente com a academia, faz um enorme esforço para garantir as condições para que a atleta, talvez a melhor do país com a sua idade, consiga competir, tendo já conseguido lutar em pelo menos sete competições internacionais.