Socialistas reiteram abandono do projeto e dão mandato como perdido. PSD também demonstra preocupações, mas tem esperança que o executivo municipal dê a volta à situação.
O IMAPARK um complexo com mais de 90 mil metros quadrados entre as Pontes e Gâmbia, no concelho de Setúbal, adquiro através de leasing imobiliário no valor de 4,4 milhões, em 2019, pela autarquia, é tema de intenso debate entre o executivo liderado pela CDU e a aposição, depois dos vereadores do PS terem, na passada semana, visitado o empreendimento.
“São muitas promessas feitas durante anos. Investimentos de milhões, como este do IMAPARK e não vemos nada. São vários os anúncios feitos pela CDU sem concretização e com elevados custos para os setubaleneses e azeitonenses”, aponta ao Semmais o vereador do PS, Fernando José.
Os socialistas não ficaram satisfeitos com o que viram no complexo, denunciando “o profundo estado de degradação e abandono” em que este se encontra. “Compraram o espaço, gastaram-se milhões e agora o presidente (André Martins) diz que estão a avaliar o projeto. É um completo desvario da utilização do dinheiro público. Andamos nisto e não vemos investimentos nenhuns com impacto na cidade. Falta estratégia por parte da CDU e é um mandato completamente perdido”, acrescenta o autarca.
A preocupação é partilhada pela bancada do PSD, que também lança críticas. “Neste momento, é um elefante inútil. Não é admissível que a câmara tenha feito o investimento que fez e depois o espaço esteja naquele estado. Estamos preocupados, é uma situação que está a ficar insustentável”, afirma Fernando Negrão, vereador social-democrata, ao nosso jornal.
No entanto, a visão sobre o executivo não é tão pessimista como a do socialista. “Estamos atentos e não nos satisfazem, naturalmente, as justificações que têm sido apresentadas. Ainda assim, acreditamos que o executivo ainda vai a tempo de concertar tudo isto”, sublinha.
Autarca André Martins rejeita pressão
Face às ‘farpas’ feitas pela oposição, o Semmais questionou André Martins, presidente da câmara de Setúbal, que rebate as críticas e reitera a confiança no seu executivo. “Naturalmente que estamos preocupados e estamos a trabalhar para que isto se resolva o mais rapidamente possível. Temos um projeto para aquele espaço e vamos fazer o nosso caminho, pois sabemos das nossas responsabilidades. Quando se está na oposição, e não se têm estas responsabilidades, é muito fácil de dizer que são projetos adiados e que se arrastam no tempo”, aponta o edil.
O projeto da autarquia, como recordou André Martins, prevê que naquele complexo sejam instalados o “novo mercado abastecedor e a lota de 2ª venda”. Desde a aquisição, em 2019 pela autarquia, que foram apontadas também outras ocupações como a construção de um parque para camiões TIR e a concentração de alguns serviços do município.






