Alimentação artificial das praias na Caparica avança em 2025

Projeto, levado a cabo no âmbito de um protocolo entre a Agência Portuguesa do Ambiente e o Porto de Lisboa, vai depositar um milhão de metros cúbicos de areia, num investimento que ronda os nove milhões de euros.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Administração do Porto de Lisboa celebraram, segunda-feira, um protocolo com vista à alimentação artificial das praias urbanas da Costa de Caparica e da de São João, ambas no concelho de Almada.

O projeto depositará um milhão de metros cúbicos de areia na referida linha de costa a partir do próximo ano e, segundo previsões da APA , deverá incrementar, em largura, as praias em 50 metros, num investimento que rondará os nove milhões. “Há relatos de erosão na Costa da Caparica desde a segunda metade do século XIX, que foi sendo cada vez melhor documentada e, entre 1959 e 1963, foram construídas as primeiras obras de defesa costeira. Só voltou a haver intervenções a partir de 2001, mas apenas em 2007 aconteceu a primeira alimentação artificial, desde então ocorrida de forma consecutiva, tendo a última ocorrido em 2019. Esta alimentação é importante porque é a melhor maneira de combatermos a erosão costeira, promovermos a melhoria das condições de estabilidade de costa, a redução da vulnerabilidade ao galgamento e inundação costeira e a proteção de obras de engenharia costeira pesada existentes”, referiu Celso Pinto, da APA, em introdução à cerimónia, que contou com a presença, além dos representantes das entidades envolvidas no protocolo, da presidente da câmara de Almada, Inês de Medeiros, e da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho.

Tanto o Porto de Lisboa como a APA demonstraram, na referida cerimónia, satisfação por conseguirem unir interesses, num processo de depósito de areia que resulta das dragagens realizadas em Lisboa. “Nesta ação o porto de Lisboa vai contribuir para melhorar as condições de segurança e ambientais e também valorizar este importante ativo turístico do concelho de Almada. As dragagens constituem-se um serviço de interesse público, imprescindível para assegurar as condições de segurança de navegação e a competitividade da operação portuária. Em Lisboa, face às condições sedimentares do Estuário do Tejo, temos de levar a cabo duas a três dragagens anuais para manter as tais condições de segurança e de operacionalidade”, explicou Carlos Correia, presidente do conselho de Administração do Porto de Lisboa. “Esta é mesmo a melhor maneira de defendermos a linha costeira do mar. E, neste caso, temos a que até mesmo é prejudicial à atividade do Porto de Lisboa, ser necessária pela APA para fazermos esta alimentação”, acrescentou José Pimenta Machado, vice presidente da APA.

“Estas praias da Costa da Caparica são um património absolutamente único no nosso país. Não haverá no mundo outras cidades, pelos menos eu não conheço nenhuma, como Almada, e outras capitais como Lisboa, que têm às suas portas mais de 15km de areias excecionais para a prática de diversas atividades, como os desportos, a que se juntam as condições naturais de exceção e a água de excelente qualidade. Por isso mesmo são necessárias este tipo de intervenções que permitam consolidar os benefícios que trazem às pessoas e à economia na defesa do nosso património ambiental e natural”, sublinhou a ministra.

Inês de Medeiros também assinalou o impacto da futura intervenção, mas aproveitou a presença de Maria da Graça Carvalho, para destacar outros projetos que considera urgentes. “Precisamos de mais conquistas para termos uma ação mais eficaz neste território. Temos por exemplo, de trabalhar, com a máxima brevidade, no edifício onde nos encontramos que ainda está abrangido na CostaPolis, em liquidação há mais de dez anos, assim como os concessionários das praias urbanas. Tínhamos chegado a acordo com o anterior governo para a câmara estar mandatada para lançar os novos concursos, apesar de envolver o Ministério das Finanças. Apelo à sensibilidade e determinação da sra. ministra para não adiarmos aquilo que já devia estar concluído. Não nos podemos esquecer ainda da intervenção urgente nas arribas, uma vez que o estudo promovido por esta autarquia, assinalou várias situações de risco que condicionam, não só a ocupação dos espaços, mas também a realização de alguns dos investimentos, quando não colocam ainda em causa a segurança de todos, pessoas e bens. Estamos naturalmente a falar de matérias que não podem ser assumidas apenas por uma autarquia”, referiu a edil.