O sobe e desce do Arco Ribeirinho Sul

Há mais de vinte anos Fonseca Ferreira, já falecido, com um trabalho meritório à frente da CCDRLVT, foi convidado pelo governo da altura, liderado por Sócrates, para gerir a recém criada Sociedade Arco Ribeirinho Sul, que visava o projeto de reconversão urbanística e ambiental das três grandes zonas inertes ou quase abandonadas dos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro.

Na época, foi consignada uma verba de cinco milhões de euros para o arranque e começaram a surgir os primeiros projetos e ideias, sendo que, numa primeira fase, a reconversão abrangia zonas residenciais que levantaram alguma polémica. E esse foi o primeiro travão. O segundo foi a chegada da Troika e de Passos Coelho, que nomeou outra administração e outras ideias para implementar nestas áreas a requalificar.

Daí para cá, os avanços e recuos foram de monta, sobretudo com alterações de estruturas orgânicas e nomes pomposos. Passos desqualificou o Arco Ribeirinho Sul e transformou-o em Sociedade Baía do Tejo. Já se designou ‘Lisbon South Bay’, conceito ‘vendido’ no estrangeiro. Mais recentemente, António Costa realizou um Conselho de Ministro na Margem Sul e proclamou novas decisões e verbas orçamentais. Agora é a vez de Montenegro, num projeto que já tem nome: Parque Humberto Delgado. Falta saber o resto.

Esta é a pequena resenha de como a incúria do Estado faz atrasar o desenvolvimento e mantém refém dessa inércia e de joguetes políticos, territórios tão importantes para o distrito e para toda a Área Metropolitana de Lisboa.

Estamos a falar de três zonas vitais da península de Setúbal, como os terrenos da antiga Quimiparque, no Barreiro – onde se situava o grande complexo industrial da CUF -, da Siderurgia, no Seixal, e da Margueira, em Almada, para onde se pensou, entre outras ideias mirabolantes, a Cidade da Água.

Todos estes terrenos, de grande dimensão e extensão, precisam, à décadas, de um programa sério de descontaminação, que foi anunciado por Costa e que parou de repente. Sem esta mega operação, tão urgente e decisiva, pouco se pode andar. Tão pouco se pode andar sem a participação ativa dos três municípios envolvidos, conhecedores da história recente e do que está em causa.

Portanto, para já o que se sabe é que Montenegro vai nomear uma nova sociedade para gerir estes territórios. Mais uma. E o que se espera é o arranque da descontaminação dos terrenos e de uma ideia definitiva para transformar aquelas áreas como polos de desenvolvimento, atração de empresas e de sustentabilidade ambiental.

É que o tão desejado pulmão económico, ambiental e social a Sul, continua a bater com imensa dificuldade.