Patrulhamentos partilhados com Sines e Porto Covo não agradam a autarcas da localidade, que referem existir um aumento da sensação de insegurança. Ninguém compreende desinvestimento num posto inaugurado há 14 anos.
O posto da GNR do Cercal do Alentejo, no concelho de Santiago do Cacém, está reduzido a metade do seu efetivo desde o início deste ano. Na terra crescem as reclamações devido ao desaparecimento de grande parte das ações de patrulhamento, sobretudo durante a noite, e também porque deixaram de existir as condições ideais de circulação de viaturas nas duas estradas nacionais que atravessam a vila.
“O posto tinha 16 efetivos e agora está reduzido a metade. Também uma das viaturas que tinha foi enviada para a GNR de Sines”, disse ao Semmais o presidente da Junta de Freguesia local, Sérgio Santiago. “Agora querem unir os postos do Cercal com Sines. São duas localidades que distam 30 quilómetros. Não faz sentido que aqui se passe a fazer apenas o atendimento, deixando a deslocação dos guardas, quando tal é necessário, a uma distância de 40 minutos. Não olho para esta situação com bons olhos, uma vez que o patrulhamento diurno foi substancialmente reduzido e o noturno desapareceu”, adiantou.
O autarca diz que já contactou o Destacamento da GNR de Santiago do Cacém e também o Comando Distrital, em Setúbal. Neste último ter-lhe-ão comunicado que a alteração da funcionalidade do posto do Cercal lhe seria comunicada: “Na prática estão a fazer o contrário. Retiraram metade do efetivo, uma viatura e não disseram mais nada. Apenas pioraram as condições para a população”.
Reclamações enviadas ao governo sem resposta
Segundo Sérgio Santiago já foram endereçados pedidos de esclarecimento à ministra e secretário de Estado da Administração Interna e, até, ao primeiro ministro. “Até agora nenhuma destas pessoas respondeu às nossas reclamações. Os problemas agravam-se diariamente, seja no trânsito, porque as duas estradas nacionais que atravessam o Cercal do Alentejo acolhem todos os veículos pesados provenientes de Sines, seja porque deixaram de existir as ações de patrulhamento numa área que tem uma população muito dispersa e de idade avançada e, portanto, sujeita a maiores preocupações e receios”.
O autarca refere, por outro lado, que é “incompreensível” o processo de desclassificação de um posto que foi inaugurado em 2011 e que, em sua opinião, reúne melhores condições que os restantes do Destacamento. “Gastaram-se mais de 700 mil euros para construir o posto, em Pouca Farinha, a cerca de dois quilómetros da vila. Agora o mesmo serve apenas para receber participações, o que não é fácil nem viável para muita gente, que não tem possibilidade de se deslocar facilmente ou com a rapidez exigida”, afirmou.
Para Sérgio Santiago a questão da segurança naquela área poderá agudizar-se com a chegada do verão. “Atualmente, com os estrangeiros que aqui residem, a vila tem cerca de 3.500 pessoas. Este número duplica no verão, uma vez que estamos apenas a 14 quilómetros da costa. Não faz sentido que tenhamos de partilhar o patrulhamento do Cercal do Alentejo com Porto Covo e Sines, que tem apresentado graves problemas securitários”, referiu.






