Santiago do Cacém e Almada na rota da 25ª edição do Festival de Música al-Mutamid

Ermidas-Sado e Alvalade acolhem este fim-de-semana os espetáculos de Helena Madeira e José Luís Pastor, respetivamente. Festival regressa ao distrito em março com um concerto do grupo Ahlamu Zahar em Almada.

O Festival de Música al-Mutamid, que este ano assinala a sua 25ª edição e arrancou no passado dia 8 em Albufeira, volta a trazer ao distrito os ritmos, sons e vozes da cultura árabe e do oriente, numa viagem aos tempos de Al-Andalus, do rei poeta al-Mutamid.

Depois de no último fim-de-semana ter estado em Santiago do Cacém com o espetáculo La Nuba Gharnati, o festival regressa ao concelho, desta feita a Ermidas-Sado e Alvalade, com Helena Madeira e José Luís Pastor, respetivamente. “A Helena Madeira leva ao Cine Teatro Vitória, um concerto lindíssimo com a sua voz e harpa, com harmonias de Al Andalus, com peças medievais e judaico sefarditas. Já o José Luís Pastor, que é um dos melhores intérpretes de instrumentos de corda pulsada, irá apresentar no Auditório Municipal de Alvalade, uma grande diversidade de instrumentos e interpretará melodias de cariz medieval cristão”, revela o diretor.

Almada, já em Março, mais concretamente no dia 14, com o espetáculo de Ahlamu Zahar, no Auditório Fernando Lopes-Graça, encerra o périplo do festival pelo distrito. “Este grupo é composto por músicos de Marrocos e Espanha e faz fusão de temas árabes com alguns temas de flamenco e daí pode ver-se a importância que os mouriscos tiveram no desenvolvimento do flamenco. Mas também temas em sefardita e hebreu”, acrescenta João Vieira.

Preocupação com a qualidade dos espetáculos

Além da habitual preocupação com a qualidade dos artistas e dos grupos convidados, que tem pautado a história deste festival, para celebrar a sua 25ª edição, este ano houve especial atenção em acolher o máximo de influências e sonoridades do mundo árabe, medieval e do oriente. “Tentamos que houvesse espetáculos de toda a diversidade que pode haver, nomeadamente a música medieval das três religiões monoteístas do mediterrâneo, a judaico sefardita, a medieval cristã e a medieval árabe muçulmano. Há a preocupação também de incluir a música milenar que se fazia em Al Andalus, a música sefardita desse tempo e também música medieval pura e dura. Depois temos também música e dança do médio oriente, com ritmos da Turquia, Egito e Síria”, explica João Vieira.

Além de passar no distrito por Almada e Santiago do Cacém, o festival, bem cimentado no panorama cultural do sul e centro do país, chega a outros pontos como Leiria, Lagoa, Beja, Lagos, Olhão, Silves e Loulé, mantendo uma imagem de vitalidade e promoção da herança medieval presente no nosso território e cultura. “Este festival além de homenagear o rei poeta al Mutamid, que nasceu em Beja e foi guardador de Silves, surgiu também para colmatar uma escassez, que havia há 25 décadas, na programação cultural no Algarve nos primeiros meses do ano. Felizmente tivemos sucesso, conseguimos alargar os pontos por onde passa o festival tem conquistado o público”, reitera o diretor artístico.