Almada quer comboios no túnel Algés/Trafaria

Ainda não existem estimativas de custos nem datas para início dos trabalhos, embora tenham sido feitos estudos ao longo de cerca de três décadas. Trafaria, que já tem barcos e em 2029 terá metropolitano, passará a ser importante base de transportes públicos.

Após muitos anos de reivindicações, o túnel entre Algés e Trafaria, vai ser uma realidade. Foi essa a mensagem deixada pelo Governo no final da passada semana. Uma decisão que faz rejubilar os concelhos da península de Setúbal, que aos poucos veem ser construída uma rede de transportes públicos capaz de dar resposta a problemas de muitas décadas. Ainda não há datas nem previsão de verbas que possam ser gastas, mas a câmara de Almada, lembrando que o projeto deve ter uma dimensão que salvaguarde o futuro, diz que a obra deve comportar veículos automóveis e comboios.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, terá garantido a intenção de construção do túnel durante uma conferência organizada pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas. No rescaldo desse encontro, onde também se falou da futura terceira ponte sobre o Tejo (Chelas/Barreiro) e de uma eventual reestruturação portuária, o Semmais chegou à fala com a presidente da autarquia de Almada, Inês Medeiros, que salientou a importância de todos os empreendimentos ligados à mobilidade, classificando-os como “fundamentais e imprescindíveis para toda a península de Setúbal”.

“Acredito que a obra do túnel vá ser feita e saúdo a iniciativa. Fico contente com o compromisso assumido, o que revela bom senso e coerência, uma vez que vem ao encontro do que há muitos anos é reivindicado pelas populações das duas margens do rio e que também tem sido apoiado por diversos outros governos”, refere a autarca.

Inês Medeiros, mesmo desconhecendo para quando poderão ser lançadas as obras do futuro túnel sob o Tejo (que terá uma extensão de cerca de 1.600 metros), já adiantou que o município que representa defende uma obra rodo/ferroviária. “Todos os indicadores que temos referentes à mobilidade entre as duas margens apontam para que seja preferível fazer uma obra mais abrangente. Os números dizem, por exemplo, que 38 por cento das pessoas que atravessam diariamente a Ponte 25 de Abril se dirigem a concelhos como Oeiras, Cascais e Sintra. São valores expressivos e que só por isso parecem justificar a obra. A 25 de Abril está sobre lotada e a Vasco da Gama, mesmo tendo contribuído para desanuviar um pouco o tráfego, não resolveu todos os problemas de uma zona que está em permanente crescimento”, adianta.

Projeto apresenta soluções mais ecológicas

A autarca referiu também que com as novas travessias toda a margem Sul poderá passar a dispor de uma rede de transportes públicos mais eficaz e suscetível de dissuadir a permanente utilização de viaturas próprias. É, portanto, uma perspetiva mais ecológica que se apresenta. A componente ecológica é, no entanto, algo que em breve deverá ser igualmente lembrado pelas associações ambientais. Para já desconhecem-se quais serão as repercussões da construção de um túnel. Inês Medeiros , salientando que ainda se encontram por realizar os estudos necessários, diz que “a ecologia não é incompatível com o desenvolvimento dos concelhos” e remete para o Governo a apresentação de todos os estudos necessários, sejam de carácter financeiro ou ecológico.

Falando ainda sobre o túnel que irá desembocar na Trafaria, a autarca lembra que o mesmo terá ligação com a A33. “É uma ligação que há muito está pensada e que agora fecha um círculo rodoviário muito importante”, afirma.

A Trafaria, local de chegada por barco de milhares de pessoas que diariamente se movimentam entre as duas margens, irá igualmente ficar ligada, até 2029, ao metropolitano de superficie. A extensão da atual rede num comprimento de cerca de sete quilómetros irá transformar aquela localidade num importante polo de transportes públicos, sendo certo que se o túnel a construir servir igualmente as ligações ferroviárias, será necessário também ali edificar uma estação condizente. “São todas obras que a concretizarem-se serão de grande utilidade para o futuro aeroporto. A construção do túnel não irá interferir negativamente com a construção da ponte entre Chelas e Barreiro”, diz Inês Medeiros.

“Túnel da Esperança” poderá custar mais de 700 milhões

O túnel Algés/Trafaria terá começado a ser falado há cerca de 30 anos. Nessa altura já os problemas da circulação rodoviária entre as duas margens eram muito acentuados e autarcas dos dois lados e das mais diversas cores políticas começaram por lhe chamar “Túnel da Esperança”. Há cerca de cinco anos, referindo-se à necessidade de efetuar a obra, o então ministro do Ambiente, Matos Fernandes, admitiu que o empreendimento poderia rondar os 700 milhões, valor que seria financiado na íntegra pela União Europeia. Estes valores já estão, naturalmente, desfasados e a carecem de atualização, estão ainda dependentes da opção a tomar: apenas rodoviário ou rodo ferroviário.