Celebra-se este ano, o centenário do seu nascimento. Libertino, editor de textos malditos, fez da literatura e da sua escrita um gesto insubmissão.
Mais do que um escritor, Luiz Pacheco foi um incendiário e um provocador lúcido num país onde o moralismo ainda continua disfarçado de decoro e de cobardia de sensatez.
A sua escrita era como uma acha viva no braseiro escaldante das palavras, por vezes esfriado por falsos conceitos prosaicos.
Luiz Pacheco manteve-se sempre longe do consenso, porque ele nunca o quis aceitar como algo definitivo no conceito de liberdade de expressão.
Militante por uma cultura sem espartilhos e libertária, foi protagonista de vivências únicas relatadas com frontalidade intemporal nos próprios textos, os quais retratam a sua complexa e vincada personalidade, tornando quão difícil é a sua análise.
O professor António Cândido Franco estudioso da obra de Luiz Pacheco, e seu biógrafo disse: “Foi um escritor que escreveu bastante, mas que publicou muito pouco, portanto é todo um continente que ainda está por descobrir. Pode parecer algo de surpreendente, mas é verdade, infelizmente, penso eu, mas também não quero pronunciar sobre esse assunto, esses materiais não são públicos, estão na posse da família”.
Neste modesto testemunho a um raro Homem, que tive a honra de privar num memorável encontro em Lisboa, em meados de 2002, juntamente com o seu filho Luis José Peixoto, convivi com lutador que viveu como escreveu sem receios, e acima de tudo, Luis Pacheco era possuidor de uma invulgar liberdade de pensamento e sabedoria.



