Reconhecemos que pagar impostos representa uma das responsabilidades em qualquer sociedade, contudo existe uma profunda falta de respeito por quem paga, sem que o Estado dê as devidas contrapartidas sociais.
A falta de clareza e objectividade por parte de quem nos governa, leva-nos a ter que falar “terra a terra”.
Ou seja, cada um de nós terá que dar do seu rendimento esse tributo para suportar todos aqueles “filhotes da Nação” que Rafael Bordalo Pinheiro tão bem caracterizou a sugar a porca que, ainda hoje – passados tantos anos – continuam a representar tão dignamente a sua Ordem.
Quando ouvimos dizer que é preciso rentabilizar, logo nos vêm à cabeça as apregoadas estatísticas de conveniência sobre a descida do desemprego e a urgente necessidade de criar um sistema de saúde de modo a proporcionar melhores proveitos.
Enfim toda uma série de evasivas com o intuito de tapar o sol com a peneira, não querendo assumir que a vida cada vez está pior, desmoronando as classes sociais menos favorecidas e aumentando de uma forma assustadora o fosso entre pobres e ricos.
Para a classe política instalada no poder, as estatísticas servem, acima de tudo, para argumentar que, por motivos e força dos que anteriormente governaram, se veem obrigados a tomarem decisões impopulares, para que o país não caia no colapso financeiro.
Tal como antigamente, neste contexto surge como analgésico o tão desejado patriotismo futebolístico, exaltando de novo o “bandeirame” num entusiasmo balofo, onde se realça a decadência da nossa própria identidade conquistada em Abril.
Perante todos estes indíces de nacionalismo exacerbado, esconde-se a realidade de um país que se vai atolando num pântano de incertezas e de cessação de direitos conquistados, onde a hibridez de um extremismo populista sobrepõe-se à inquestionável necessidade de degolar uma crise que nos atormenta perante uma libertinagem de valores sociais e morais.
Tal como diz o velho ditado: “Casa que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”, o governo reclama e exige dureza orçamental e política optando pelo acessório e esquecendo o essencial – dar ao país um rumo certo e acima de tudo falar ao povo com verdade e sem sofismas.
Todos os poderes instituídos deverão, mas em primeiro juízo o político, seja ele ou não detentor da confiança de quem o elegeu, primar pelo rigor e pela credibilidade nas suas opções.
Se assim não for, resta-nos aglutinar as forças necessárias de modo a suportarmos o delírio alucinatório de uma praga de devoradores que tem vindo a instalar-se de uma forma organizada na nossa sociedade, impondo normas e regras exclusivamente para seu beneficio, originando indícios de descrédito no regime democrático.
Portugal não pode continuar a ser palco de lutas de sectores privilegiados, conquistando com os seus actos e acções, direitos cívicos e políticos ilícitos. A realidade social e política é outra, os direitos só se devem tornar em conquistas, quando esses mesmos direitos não vão contra o uso e fruto dos direitos dos outros.
Em suma, é tempo de uma mudança radical no comportamento dos agentes políticos. Se isso continuar a tardar, correse o risco de desvirtuar e perder quem sabe a própria Democracia.



