Dezenas de peças celebram 30 anos do Festival Internacional de Teatro de Setúbal

Certame acolhe coletivos nacionais e internacionais, assim como artistas de vários pontos do mundo como Brasil, Bélgica, Birmânia, Cuba, Itália, Reino Unido, Malásia, Senegal, Tailândia.

São 25 o número de espetáculos que compõem a programação da 27.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Setúbal que, este ano, assinala os 30 anos da a sua fundação e que se realiza ininterruptamente desde 2004. O certame, promovido pelo Teatro Estúdio Fontenova em parceria com a câmara de Setúbal, apresenta ainda, entre 21 a 30 de agosto, outras atividades e uma exposição, perfazendo as 35 atividades que vão passar por vários pontos da cidade sadina e por Palmela.

“Acolhemos novos projetos através da Secção Off e da Secção Oficial, onde integrámos uma residência artística que resulta numa estreia. Olhamos para o passado numa reflexão visual na exposição de retrospetiva que se distribui pela Escola Sebastião da Gama e por outros pontos da cidade. Insistimos na inclusão em espetáculos com língua gestual portuguesa e tocamos ainda na questão da acessibilidade. Trazemos ao de cima, também, temas que nos tocam e tocam o mundo, como a guerra, o trabalho, a maternidade, o questionamento da identidade de género, a exploração, o extrativismo e ainda a ocupação e genocídio palestiniano”, revelou Patrícia Paixão, membro do Teatro Estúdio Fontenova, que tomou a palavra no lugar de José Maria Dias, diretor da companhia e do festival.

Nesse sentido, há a destacar no cartaz a sessão de abertura e concerto com La Barca, no dia 21 pela 18h00 no Convento de Jesus. No mesmo dia, referir o espetáculo “Somos La Guerra”, do coletivo espanhol “Luz Arcas e La Phármaco”, no Fórum Municipal Luísa Todi, a partir das 22h00.

No alinhamento do certame evidencia-se também, como assinalou Patrícia Paixão, a estreia da peça “Unsilent Mode Vol. II: Seen/Unseen”, com Bernadette Carpio, Clara Passarinho, Kelvin Shine Ko e Kelvin Wong, um espetáculo fruto de nacionalidades vindas de Portugal, Birmânia, Reino Unido, Tailândia e Malásia.

A programação que conta ainda com coletivos nacionais, espanhóis e italianos e artistas vindos de outros pontos do globo, como Brasil, Cuba e Itália, encerra no dia 30 e tem como ponto alto, no Fórum Luísa Todi, o espetáculo “Revolución”, da companhia espanhola Teatro Sobre Ruedas, a partir das 21h30. O evento termina com um apontamento musical do Djarabi Quintet, um grupo de música africana composto por músicos do Senegal, Bélgica e Espanha, no pátio da Escola Secundária Sebastião da Gama a partir das 23h15.

40 anos do Teatro Estúdio Fontenova

Entre as atividades que complementam a programação, destaque para a exposição que comemora os 40 anos do Teatro Estúdio Fontenova, com peças a remeter para a cenografia, pequenos adereços, figurino, fotografias entre outras e que vai estar patente ao longo do festival na Escola Secundária Sebastião da Gama, Fórum Luísa Todi, União Setubalense e Casa da Cultura.

Face à efeméride, presente na cerimónia, André Martins, presidente da câmara de Setúbal, sublinhou a importância do Teatro Estúdio Fontenova na política cultural para o concelho. “O Fontenova tem tido um trabalho de empenho e resiliência para continuarmos a ter em Setúbal um festival de teatro que muito nos orgulha e que tem tido a participação de muitos artistas nacionais e internacionais. As coisas não são fáceis, bem sabemos, na área da cultura, mas só temos a agradecer o trabalho feito pelo Teatro Estúdio Fontenova”, referiu o autarca.

O edil sadino reconheceu que, apesar do investimento na reabilitação e criação de novos equipamentos culturais, está por cumprir a promessa que fez nas últimas eleições para conseguirem um espaço, onde a companhia se possa instalar e fazer as suas apresentações, já que o sítio onde está atualmente permite apenas criações e ensaios. “Era um objetivo que tínhamos e mantemos esse compromisso. Temos tido várias conversas e queremos resolver essa situação. Ainda assim, temos feito um esforço para apoiar ativamente a companhia, exemplo disso é que desde o início do mandato o apoio financeiro ao Fontenova atingiu os 90 mil euros anuais, a que se soma o acesso a equipamentos culturais, comparticipação de bilheteiras, logística, comunicação institucional e outras necessidades, estimando que conjunto o apoio municipal ultrapassa os 120 mil euros anuais”, destacou André Martins.