Porto de Sines acelera no caminho da autosuficiência energética

Estão a ser instaladas fotovoltaicas e a ser estudada a possibilidade de recorrer à energia eólica. As emissões poluentes deverão ser reduzidas em 55 por cento até 2030. Avançam também os negócios com operadores internacionais.

A administração do Porto de Sines pretende reduzir as emissões poluentes em 55 por cento até 2030 e quer tornar- -se autosuficiente no que respeita ao fornecimento de energia até 2050. Estes objetivos ambientais, que vão ao encontro das recomendações internacionais, irão possibilitar a médio e longo prazo um aumento da atividade portuária, um eventual crescimento das receitas e uma melhoria dos serviços prestados na cidade alentejana.

Em declarações ao Semmais, o presidente da APS, Pedro do Ó Ramos, explicou que algumas das opções estratégicas tomadas já estão a ser implementadas, nomeadamente as que passam pela instalação de dois blocos de painéis fotovoltaicos. “Existe a ideia de avançar para uma terceira estrutura do género. Reforçaremos assim a produção de energia verde e daremos passos seguros para cumprir as recomendações europeias e mundiais”, disse.

Pedro do Ó Ramos adiantou ainda que está a ser estudada a possibilidade de o porto de Sines vir a instalar equipamento eólico. De momento essa é apenas uma possibilidade que está a ser aquilatada, mas que ainda não está decidida. “Ainda precisamos de efetuar alguns estudos”, explicou o administrador

Outra das medidas já anunciadas para promover a sustentabilidade ambiental nas operações portuárias passa pela utilização de combustíveis alternativos. O responsável portuário afirmou que já foi efetuada uma operação entre navios e que esta prática deverá ter continuidade no futuro. “Queremos também avançar com a construção de uma nova subestação. Aumentar a produção elétrica é um objetivo que pretendemos realizar, para que em 2050 sejamos autosuficientes. Queremos concretizar o projeto que nos permitirá ter energia elétrica a abastecer todos os cais”, explicou.

“Se formos mais amigos do ambiente o porto de Sines tornar-se-á mais atrativo. Chegarão mais navios e far-se-ão mais negócios, o que implica melhoria económica para todos os que aqui trabalham, para o concelho e para o país. Para podermos atingir esses objetivos de sustentabilidade ambiental temos também em andamento um estudo que, através de gases criogénicos, nos permitirá utilizar nas operações portuários mais gás natural”, adiantou.

Pedro do Ó Ramos entende que os vários investimentos em curso, (no valor de 17 milhões de euros para ampliação de rede elétrica portuária e de 16 milhões para as centrais fotovoltaicas), servem o propósito de receber mais navios, reforçando a posição da estrutura entre as melhores e mais importantes da Europa. Os diversos contratos que são celebrados anualmente com outros portos e empresas de outros continentes assim como as sucessivas operações de modernização e especialização acabam por posicionar o porto siniense entre os mais apetecidos pelos operadores.

Para além de ser a principal porta de abastecimento energético do país (onde chegam o petróleo e seus derivados e ainda o gás natural), o porto de Sines tem igualmente uma importância relevante na movimentação de carga geral contentorizada. O sistema de acessos, seja rodoviário seja ferroviário, permite melhorar e tornar mais céleres as transações com o resto da Europa.

No top 15 da Europa

O estudo PortEconomics revelou, em fevereiro deste ano, que o porto de Sines se encontra no top 15 dos que na Europa movimentam mais contentores. O 14.º posto desta classificação reflete um aumento de 16 por cento da carga movimentada face a 2023. As expetativas para o ano em curso são de continuidade do crescimento, uma vez que a capacidade das instalações entretanto construídas permitiu passar a capacidade antiga, estimada em 2,7 milhões de contentores, para 4,2 milhões. Os 15 principais portos europeus movimentaram um total de 76,8 milhões de contentores.