Quercus lança alerta sobre várias ameaças ambientais no distrito

Agência ambiental mostra-se também preocupada com a destruição da biodiversidade em zonas protegidas, insiste no livre acesso às praias e no controlo dos lençóis freáticos.

A qualidade da água e a sua quantidade, as emissões de CO2 em consequência da utilização exaustiva de automóveis e a destruição do coberto florestal são algumas das principais preocupações ambientais apontadas no distrito pelo presidente regional da Quercus. Os ambientalistas insistem na necessidade de se alterarem hábitos e de se promover a defesa da biodiversidade.

“Existem vários pontos que nos preocupam e que têm sido alvo de constantes notícias. Tudo o que tem sido denunciado prova que o meio ambiente no distrito continua a não ser respeitado conforme devia”, disse ao Semmais o dirigente regional, Luís Silva.

“Em primeiro lugar é preciso falar na questão dos acessos às praias, sejam as de Troia sejam outras mais a Sul. A passagem não pode ser proibida a ninguém e o facto de existirem empreendimentos, sejam de grandes promotores turísticos, sejam de particulares, que procuram restringir as passagens é só por si um sinal perturbador. Parece-me evidente que esses empreendimentos, alguns deles de grandes dimensões, acabam por comprometer todos os valores naturais”, acrescentou.

O dirigente da Quercus é também de opinião que o distrito de Setúbal, em consequência dos projetos urbanísticos turísticos, pode vir a debater-se com problemas relacionados com a quantidade de água disponível. Cita, por exemplo, as muitas construções já concluídas no concelho de Grândola e outras que já estão aprovadas e que deverão surgir em breve. “O estado dos aquíferos deve ser vigiado, tal como devem ser bem analisadas todas as propostas tendentes à instalação de grandes unidades de exploração agrícola intensiva. Felizmente, recentemente, foi reprovada para o concelho de Alcácer do Sal uma exploração de abacate, a qual iria aumentar os problemas de fornecimento de água”, referiu.

Ambientalistas criticam projetos na Rede Natura

A par da escassez de água que possa vir a acentuar-se, os ambientalistas entendem que são igualmente graves os processos de licenciamento de empreendimentos urbanísticos para áreas integradas na Rede Natura 2000. Luís Silva fala com apreensão das obras projetadas para os concelhos de Sesimbra (entre a Lagoa de Albufeira e a Praia do Meco) e Seixal (numa área ardida no passado verão e que agora é apontada como local de construção de algumas zonas residenciais). “A perda da biodiversidade no distrito é um facto. Além dos casos do Seixal e de Sesimbra lembro-me também do que aconteceu em Sines, com a construção das instalações do DataCenter. Esse caso ainda está para ser decidido na Justiça. Trata-se da sobreposição de uma obra numa zona de reserva especial de conservação”, explicou.

O dirigente ambientalista referiu ainda a construção de um parque eólico em Morgavel, no concelho de Sines, como outra das principais preocupações: “Ainda não temos uma decisão, mas não concordamos com o abate de cerca de 1500 sobreiros (a EDP renováveis fez uma alteração ao projeto inicial, poupando ao corte cerca de 400 árvores) e com projetos que possam contribuir para o afastamento ou desaparecimento de algumas espécies animais, como o da águia pesqueira, espécie de que só já resta um casal na Costa Vicentina”.

Continuando a desfilar o rol de problemas ou preocupações ambientais, o responsável da Quercus disse desconhecer com exatidão quais os resultados dos exames laboratoriais a que são sujeitas as águas do Tejo e do Sado. “O que temos, com alguma frequência e sobretudo no Tejo, são denúncias de cidadãos, mas faltam-nos outros elementos que nos possibilitem encaminhar essas mesmas suspeitas para outras entidades”, disse.

Por fim, reportando-se à questão dos transportes, Luís Silva entende que, para já, não se deve avançar com a construção do túnel rodoviário entre a Trafaria e Oeiras. “Não faz sentido falar-se numa obra quando ainda nem sequer foram efetuados estudos de impacte ambiental. Também não faz sentido avançar com essa obra quando ainda nem se iniciou o projeto de expansão do metro até à Costa da Caparica. Os transportes rodoviários são a principal causa de emissões de CO2 e é por aí, pela diminuição dessas emissões poluentes, que devemos iniciar”, acrescentou.