Estabelecimento de ensino sediado em Santiago do Cacém foi a escola pública do distrito com melhores resultados nos exames do ensino secundário em 2024.
Com uma média de 12,31 entre as 196 provas contabilizadas, a Escola Secundária Manuel da Fonseca, sediada no concelho de Santiago do Cacém, foi a instituição pública do distrito com melhores resultados nos exames nacionais do ensino secundário, de acordo com o Ranking Nacional de Escolas de 2024, e a quinta melhor em todo o distrito, suplantada apenas quatro outras de natureza privada.
Os referidos resultados permitiram ao estabelecimento de ensino colocar-se no 93.º lugar a nível nacional, traduzindo-se numa subida de 118 postos, quando comparada ao ano anterior. “O mérito tem de ser dado aos alunos e às famílias que os acompanham. Talvez pela natureza do nosso concelho, por não ser um grande centro urbano e boa parte dos alunos virem de um meio mais rural, mais próximo, digamos assim, faz com que as famílias consigam dar um acompanhamento mais direto aos filhos. A presença constante da família junto dos alunos é importante”, refere a professora Teresa Fonseca em conversa com o nosso jornal.
A docente considera ainda que existem outros fatores, como a estabilidade letiva e o acompanhamento que os docentes fazem junto dos alunos, que também podem explicar os resultados obtidos: “Existe um currículo nacional, mas cada escola é um organismo único e eu diria que nós beneficiamos muito do facto de ter um corpo docente estável. Isto permite fazer a continuidade das turmas e ir acompanhando os alunos. Paralelamente, esta questão permite todo um trabalho de identificação de fragilidades e ter um conhecimento mais profundo sobre os alunos”.
Para Teresa Fonseca, a escola oferece ainda um reforço da carga horária e apoios nas disciplinas de obrigatoriedade de exames. “A direção tem tido atenção junto dessas disciplinas para haver um reforço dessas aprendizagens. Além disso, fora do horário das aulas, são ainda definidos pequenos grupos de apoio, quase como gabinetes de explicações, em que os alunos podem com os professores, de forma mais especializada, trabalhar os seus estudos, tirar dúvidas e consolidar as suas aprendizagens”, revela.
Apesar dos resultados positivos e da adesão significativa dos alunos ao material de apoio aos exames, a docente revela que existem inegáveis desafios, mas também particularidades associadas a esta geração. “Eu leciono há 35 anos e hoje o digital é uma realidade, tanto para nós professores, como para alunos. Não podemos dar o mesmo tipo de aulas que dávamos há 10, 15 ou 20 anos, existem estímulos diferentes agora, e é normal que grande parte dos professores recorra a plataformas digitais como o Classroom e o Moodle. É evidente alguma dependência dos telemóveis, mas aquilo que noto é que os alunos são de facto bem organizados, conseguem rentabilizar as ferramentas digitais e são efetivamente questionadores e preocupados em ter bons resultados”, sublinha Teresa Fonseca.






