A eficiência energética e hídrica não é apenas um conceito teórico — está a tornar-se uma realidade concreta em vários setores em Portugal, graças a iniciativas como os projetos Regadio Eficiente e Frio Eficiente, promovidos pela ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida. Estes dois projetos distintos têm em comum uma visão clara: reduzir consumos, modernizar infraestruturas e contribuir ativamente para um território mais sustentável.
Água que se poupa, energia que se ganha
Na agricultura, onde o uso intensivo de água e energia é uma constante, o projeto Regadio Eficiente trouxe soluções inovadoras e eficazes. Através de uma nova plataforma online gratuita (https://rega.ena.com.pt/), os agricultores podem calcular semanalmente as necessidades reais de rega das suas culturas, ajustando o consumo de água com base em dados como tipo de solo, localização, clima e estado fenológico das plantas. A simplicidade de uso e a abrangência da ferramenta tornaram-na acessível a qualquer produtor agrícola
Mas a intervenção não se ficou pela tecnologia digital. Em 20 explorações agrícolas dos concelhos de Palmela, Setúbal e Montijo foram instalados sistemas solares fotovoltaicos, variadores de velocidade em bombas hidráulicas e programadores automáticos de rega. Estes investimentos — com apoio a fundo perdido de 60% — permitiram uma poupança energética estimada de 128 MWh por ano e uma redução de custos superior a 19 mil euros anuais. Em média, os agricultores recuperaram o investimento em apenas 16 meses. Estas intervenções são divulgadas na referida web como boas práticas, com o objetivo de inspirar e ser replicadas por outros agricultores.
Frio mais eficiente e mercados mais sustentáveis
Já no setor alimentar, a medida Frio Eficiente nas Lotas e Mercados Municipais de Portugal demonstrou que é possível transformar infraestruturas municipais em modelos de eficiência energética. A intervenção abrangeu 20 câmaras frigoríficas em mercados municipais de sete concelhos (Barreiro, Moita, Palmela, Montijo, Alcochete, Sesimbra, Sines e Setúbal), com foco na substituição de sistemas obsoletos de refrigeração por soluções mais eficientes e fiáveis.
A medida resultou numa redução média anual de 31% no consumo de eletricidade, o equivalente a mais de 14 mil euros em poupança para os operadores e autarquias. Além disso, evitou a emissão de cerca de 20 toneladas de CO₂ por ano. Para além da remodelação do sistema de frio das câmaras frigoríficas, intervenções simples — como a substituição de elementos isolantes ou a instalação de sinalização acústica em portas — revelaram-se altamente eficazes. As ações de sensibilização junto dos utilizadores reforçaram o impacto duradouro da mudança.
Parcerias que fazem a diferença
Ambos os projetos foram financiados no âmbito do Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia (PPEC), aprovado pela ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, e concretizados em parceria com entidades como a S.ENERGIA, a RNAE e a AVIPE.
A atuação da ENA nestas iniciativas reflete a sua missão de promover a gestão eficiente dos recursos naturais e impulsionar a transição energética e climática no Território Arrábida. Os resultados falam por si: eficiência, poupança, modernização e sustentabilidade a beneficiar agricultores, comunidades e o ambiente.






