Juntos perfazem mais de 530 hectares. São zonas ricas em fauna e flora que atraem não só os amantes das caminhadas, mas também a comunidade académica, que ali estuda várias espécies e vai descobrindo novos vestígios de uma ocupação que há mais de 500 anos tinha na olaria uma das suas principais atividades.
A Mata Nacional da Machada e o Sapal do Rio Coina são os principais espaços verdes do concelho do Barreiro. Para além de utilizados como áreas de lazer, são também zonas privilegiadas para atividades como a observação de aves e algumas espécies piscícolas. São redutos onde a diversidade da flora assume igualmente grande relevância ao ponto de ser alvo de constantes visitas por parte de académicos.
Os quase 386 hectares da Mata Nacional da Machada fazem deste espaço o de maiores dimensões em todo o concelho. No centro da península de Setúbal, esta imensa mancha verde que agora se encontra a ser gerida pela Direção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste, abrange as povoações de Coina, Santo António da Charneca e Palhais. O Centro Ambiental que ali funciona é também um chamariz. Entre as centenas de utilizadores diários contam-se, como ressalvam os serviços camarários, diversos grupos de estudantes.
Para os responsáveis municipais esta mata – que esteve integrada no Convento de Nossa Senhora da Luz da Ordem de Cristo e que em 1834, após a extinção das ordens religiosas, passou para a posse de um particular – é fundamental para assegurar melhor qualidade de vida aos residentes, que ali encontram um espaço apropriado para desenvolver diversas atividades desportivas e caminhadas. Apelidada de “pulmão da cidade”, oferece ainda a quem a visita um vasto conjunto de fontanários e um parque de merendas.
Habitat para muitas espécies de fauna e flora
Com uma vegetação composta, maioritariamente, por pinheiros bravos, mansos e sobreiros, o local tem também carrascos, urzes, medronheiros e murtas. É, por isso, uma zona de grande valor para a avifauna, onde predominam a águia-de-asa-redonda, o abelharuco, a pega azul e o chapim azul.
Não se resumem, no entanto, à fauna e à flora as mais-valias da Mata Nacional da Machada. Ali funciona, desde 2013, um Centro de Interpretação Arqueológico, o qual explica detalhadamente a importância da zona como centro de olaria.
A descoberta acidental de um forno, em 1980, levou o arqueólogo Cláudio Torres a fazer levantamentos numa área de cerca de 1.000 metros quadrados. Nesse espaço vieram a encontrar- -se inúmeros fragmentos de cerâmica e também alguns veios de barro. Moedas encontradas no local permitiram concluir que o mesmo já era utilizado nos séculos XV e XVI, sendo de tal modo importante a produção oleira que haveria mesmo um local específico para embarcar todos os produtos ali fabricados.
Ao lado da Mata das Machadas e integrado na Reserva Natural Local, encontra-se o Sapal do Rio Coina. Trata- -se de uma zona húmida com cerca de 160 hectares e considerada como um dos mais importantes polos da biodiversidade no distrito de Setúbal.
Localizado entre o Tejo e o Sado, o Sapal de Coina assume especial importância ecológica por funcionar como uma espécie de filtro natural de compostos poluentes, nomeadamente herbicidas, pesticidas e metais pesados. Cumpre assim uma importante função no processo de purificação da água, mas também como barreira que serve para travar inundações.
É considerado como um berçário de diversos tipos de peixes, mas também um local com inúmeras espécies de aves e invertebrados aquáticos. Entre a vasta lista de animais que ali podem ser observados contam-se cobras de água víperinas, tritões, salamandras, diversas espécies de sapos, osgas, tartarugas e cágados, mochos, andorinhões, rolas e pombos, cegonhas, galinhas de águamaçaricos, gaivotas, garças, peneireiros, patos, gaviões, águias sapeiras, ouriços, lontras, musaranhos, etc.
A divulgação destes locais assim como a sua preservação são fundamentais para a Câmara Municipal do Barreiro, que os apresenta como símbolos de qualidade de um concelho apostado em renovar toda a área urbana e, em simultâneo, apresentar trunfos ambientais capazes de atrair mais visitantes e estudiosos.






