PS e CDU estabelecem acordo de governação para a Câmara de Almada

O entendimento sobre o mandato pressupõe que seja feita uma auditoria financeira externa e independente ao universo municipal, abrangendo a Câmara de Almada (CMA), os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) e a empresa municipal WeMob, a concretizar com a maior brevidade possível.

O PS e a CDU chegaram a um acordo de governação para o executivo da Câmara de Almada liderada pela socialista Inês de Medeiros que ganhou as eleições autárquicas com 29,10% dos votos.

Para o mandato de 2025-2029 em Almada o PS elegeu quatro vereadores e a CDU com 20,6 por cento dos votos assegurou três vereadores.

O PSD, que no mandato autárquico anterior tinha um vereador com pelouro que lhe foi retirado no início deste ano depois de, em sede de Assembleia Municipal, os sociais-democratas terem chumbado o orçamento camarário, elegeu dois vereadores e o Chega outros dois.

Na noite eleitoral a socialista Inês de Medeiros e presidente da autarquia nos últimos oito anos anunciou que encetaria conversações com todos os partidos exceto com o Chega, força que classificou como não democrática, tendo agora chegado a acordo com a CDU para a governação do município de Almada.

Em declarações à agência Lusa Inês de Medeiros explicou que independente do que ocorreu no mandato passado iniciou o processo de negociações com o PSD e com a CDU, e que os sociais-democratas anunciaram que não aceitariam qualquer pelouro.

“O PSD disse logo que não estava interessado, que não iria aceitar qualquer pelouro, enquanto a CDU se mostrou disponível para conversar“, disse adiantando que o acordo escrito entre o PS e a CDU está ainda a ser finalizado e que este entendimento possibilitará alguma estabilidade na governação para desenvolver trabalho em prol da comunidade almadense “em vez de andar em querelas partidárias”.

Na sequência das conversações a CDU assumirá o pelouro da higiene urbana e frota, da intervenção social e saúde assim como a presidência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS), cuja administração integrará um vogal nomeado pelo PS e um segundo vogal por mútuo acordo, assim como a área do movimento associativo e Casa das Associações – para apoio logístico, técnico e jurídico.

Numa nota pública divulgada da rede social Facebook a CDU explicou que os seus vereadores “assumirão pelouros no pressuposto da garantia da dotação de um orçamento adequado, estabelecido a partir de uma avaliação objetiva das reais necessidades de investimento na renovação, manutenção e conservação das infraestruturas e equipamentos”.

Para concretizar o quadro de responsabilidades executivas, serão atribuídos à CDU a permanência de dois vereadores em regime de tempo inteiro e um vereador em regime de meio tempo.

O entendimento sobre o mandato de 2025/2029 na Câmara Municipal de Almada, subscrito pelos eleitos do Partido Socialista e da Coligação Democrática Unitária (CDU) pressupõe que seja feita uma auditoria financeira externa e independente ao universo municipal, abrangendo a Câmara Municipal de Almada (CMA), os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) e a empresa municipal WeMob, a concretizar com a maior brevidade possível.

A auditoria, segundo a CDU, constituirá um instrumento de transparência e rigor na gestão pública, devendo o seu processo ser acompanhado por representantes de ambas as forças políticas.

Em declarações à agência Lusa, Luís Palma, um dos vereadores da CDU e que a 12 de outubro se candidatou à presidência do município, explicou que os vereadores da CDU ficam agora com áreas exigentes e que pretendem iniciar um levantamento exaustivo das necessidades, auscultar os trabalhadores e tentar devolver à esfera pública serviços que são feitos por entidades externas.

O acordo entre o Partido Socialista e a Coligação Democrática Unitária (CDU) para a governação municipal de Almada recebeu críticas por parte da Iniciativa Liberal, que em comunicado classifica-o como um desrespeito ao eleitor almadense” por tal hipótese nunca ter sido colocada durante a passada campanha eleitoral”.

Para a IL Almada, a entrega à CDU de áreas essenciais como Higiene Urbana, Intervenção Social, Saúde e, sobretudo, a presidência dos SMAS e do associativismo “representa uma cedência significativa do PS Almada, que compromete a independência da gestão municipal e devolve à CDU Almada um poder que os almadenses não atribuíram nas urnas”.