Proximidade a Lisboa torna os concelhos da península mais apetecíveis, mas a falta de construção e de casas para alugar fazem inflacionar os custos. Valor turístico de Grândola e Almada e industrial de Sines são outros dos fatores que explicam o crescimento dos preços nessas zonas
Setúbal foi, no ano que agora está a terminar, a quarta capital de distrito onde mais aumentaram os preços de venda de habitações. O crescimento, só suplantado por Santarém, Beja e Portalegre, foi de 17 por cento quando comparado com o mesmo período de 2024. Os dados da agência do ramo imobiliário Idealista referem que construir casa no distrito custa, por metro quadrado, 2.957 euros, o correspondente ao quinto valor mais elevado do país.
Há várias razões que os agentes imobiliários contactados pelo Semmais apontam como responsáveis pelos números obtidos para o distrito de Setúbal, seja em relação à construção seja para efeitos de arrendamento. A primeira é a proximidade a Lisboa, onde muita da população da margem Sul trabalha e para onde tem de se deslocar quase diariamente. A segunda tem a ver com a necessidade de muitas pessoas que trabalham na capital em encontrar habitação mais acessível, recorrendo por isso aos concelhos da península. Esta crescente procura, seja para compra ou arrendar, é a principal causadora dos aumentos verificados e que, dizem os peritos, terá atingido valores recorde.
Os técnicos de vendas referem, por outro lado, que os valores dos arrendamentos nos concelhos da península são, também, uma consequência da elevada procura que não é, “de modo algum”, acompanhada pela oferta. “Quase não existem casas para alugar e as poucas que surgem no mercado desaparecem quase de imediato”, refere um dos contactados, afirmando também que a vertente do arrendamento “poderia ser uma opção válida para atrair moradores, sobretudo jovens casais, caso os preços não fossem tão inflacionados”: “Vejamos, por exemplo, o preço do aluguer de uma casa de 90 metros quadrados em Setúbal. De acordo com os últimos valores serão 1.170 euros por mês. Esse não é um valor fácil de pagar por um casal, porque em muitos casos é até superior ao vencimento de um dos membros do agregado”.
Viver na Península continua a ser atrativo
Mesmo com a construção a um nível considerado abaixo do que o mercado exige, a península de Setúbal continua a ser considerada, a nível nacional, como uma das zonas mais apetecíveis. “Há a proximidade a Lisboa, duas pontes sobre o Tejo, autoestrada, transportes ferroviário e marítimo. Na verdade a distância/tempo é fundamental para quem procura casa e por isso zonas como Almada, o Barreiro, o Seixal e agora também a Moita vão continuar a ser muito procuradas. Além disso, toda a margem Sul é ideal para férias no verão, devido às praias, e esse é mais um fator a favor”, explica Rúben Marques, da Idealista.
Os números totais do distrito podem igualmente estar inflacionados, de acordo com as imobiliárias, pelos preços praticados no concelho de Grândola, que a par de Cascais e do Algarve é o que atinge valores mais altos. Em novembro deste ano, construir no concelho alentejano era tarefa para ultrapassar os 3.600 euros por metro quadrado, ao passo que um arrendamento naquela área suplanta todos os números do resto do distrito, atingindo os 16,8 euros por metro quadrado. “Grândola, naturalmente, influencia os resultados do distrito”, diz Rúben Marques que, contudo, alerta para o facto de em termos de construção ter sido o concelho de Sines aquele que, no final deste ano, registou o valor mais elevado: 3.876 euros por metro quadrado.
Também Almada, onde se localizam grande parte das praias do distrito, acaba por ter nesse fator uma explicação lógica para ser o concelho mais caro da península para construir.
A explicação para os valores verificados em Sines poderá ter a ver com o crescimento do parque industrial do concelho e a crónica falta de habitação ali detetada. Este é, de resto, um problema já identificado pelo novo presidente do município, Álvaro Beijinha, que em entrevista ao nosso jornal salientou a necessidade de as empresas ali instaladas assumirem responsabilidades na construção de novas habitações.
Outro dos concelhos mais caro é Alcácer do Sal, onde o metro quadrado estava, há menos de um mês, a 3.521 euros, montante que na península só é suplantado por Almada (3.649 euros).







