O recém empossado presidente da CIM, Frederico Rosa, que preside também a câmara do Barreiro, defende uma visão regional, participada e de longo prazo, onde mobilidade, coesão territorial e sustentabilidade caminham juntas, ancoradas numa estratégia comum e na aplicação eficaz de fundos comunitários.
Que significado tem para si assumir a presidência da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal?
Assumir a presidência da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal representa, antes de mais, a confiança dos restantes presidentes de câmara. É também a oportunidade de liderar um projeto em que acredito profundamente. Sempre fui um entusiasta desta estrutura intermunicipal, por considerar que esta é uma das ferramentas mais estruturais e determinantes para o futuro da península.
Quais são as principais prioridades para este mandato à frente da CIM?
A principal prioridade é o desenvolvimento de um plano estratégico para a península, construído com a participação de todos os atores da região, designadamente entidades públicas e privadas, empresas, IPSS, organizações não-governamentais, forças de segurança, proteção civil, associações culturais, clubes e a sociedade civil em geral. A grande novidade deste mandato é associar esse plano estratégico à captação, gestão e aplicação de fundos comunitários. Ou seja, negociar os fundos europeus com base nas necessidades reais da região, previamente identificadas pelos seus atores, garantindo que os recursos são aplicados de forma eficaz e alinhada com uma visão comum.
A mobilidade continua a ser um dos maiores desafios da região. Que papel deve ter a CIM na melhoria dos transportes?
Terá um papel central através do plano estratégico regional, que servirá de base à candidatura e execução de projetos financiados por fundos comunitários. Nesse sentido, as necessidades ao nível da mobilidade, seja no transporte de passageiros ou de mercadorias, serão identificadas nesse processo participativo. Os projetos considerados essenciais pelos atores da região serão naturalmente assumidos como prioridades pela Comunidade Intermunicipal.
Como pode a CIM contribuir para reduzir as assimetrias entre os diferentes municípios?
Tem a vantagem de assumir uma visão estratégica, regional e de longo prazo, menos condicionada por interesses imediatos ou estritamente locais. Sem se substituir aos municípios, a CIM será um complemento, capaz de definir planos de ação no âmbito do plano estratégico e de assegurar o seu financiamento através de fundos comunitários. Essa visão será construída não apenas pelos municípios, mas também pelos restantes atores da região.
A península concentra áreas industriais, zonas rurais e áreas naturais sensíveis. Como conciliar desenvolvimento económico com proteção ambiental?
O desenvolvimento económico e a proteção ambiental não são objetivos opostos. Pelo contrário, um desenvolvimento económico sustentável exige respeito pela envolvente ambiental, pelas zonas naturais e também pela qualidade de vida das populações. Questões como poluição, ruído, trânsito e ordenamento do território devem ser compatibilizadas e articuladas. Não podem ser vistas como concorrentes, mas como dimensões complementares de uma estratégia de desenvolvimento equilibrado.
Que projetos estratégicos considera determinantes para afirmar a península no contexto regional e nacional?
Digo-lhe que mais importante do que projetos individuais é a construção de um grande projeto estratégico comum, definido por todos os atores e parceiros da região. A conjugação de diferentes visões, públicas e privadas, permitirá criar um eixo estratégico sólido para o desenvolvimento regional. Essa visão coletiva deve sobrepor-se às ideias individuais, e enquanto presidente da CIM é essa a abordagem que considero fundamental defender.
Que importância atribui às questões ambientais e à sustentabilidade neste novo ciclo?
Têm a mesma importância que todas as outras áreas fundamentais para o desenvolvimento da região. Um território só se desenvolve de forma equilibrada quando todas essas dimensões são tratadas com igual relevância.
Que mensagem deixa aos cidadãos da península no início deste mandato?
Deixo uma mensagem de esperança no futuro, assente na criação de riqueza, emprego e valor para todos. A própria constituição da CIM demonstra que, mesmo com diferenças e visões distintas, é possível construir um projeto comum. Neste caso, um projeto que apresente soluções concretas, não apenas orientadas para objetivos de curto prazo, mas baseadas numa estratégia de longo prazo para o desenvolvimento sustentável de toda a região.
O que é e para que serve?
A CIM Península de Setúbal (Comunidade Intermunicipal) é uma entidade pública que reúne os municípios da península de Setúbal. Serve para coordenar políticas e projetos comuns, promovendo o desenvolvimento regional, a coesão territorial e a gestão partilhada de serviços como mobilidade, ambiente, planeamento e acesso a fundos europeus
Como vai funcionar?
Funciona através da cooperação entre os municípios, com órgãos próprios de decisão e equipas técnicas. Planeia e executa estratégias conjuntas, gere projetos intermunicipais e capta financiamentos, garantindo uma atuação integrada e mais eficiente em benefício da região e dos cidadãos.






