A gestão dos recursos hídricos e a procura de soluções para minimizar a pressão sobre os mesmos estiveram no centro de uma conferência promovida pela Delegação Distrital de Setúbal da Ordem dos Engenheiros, que decorreu no dia de ontem, no Auditório Bocage, em Setúbal.
O encontro, subordinado ao tema “Stress Hídrico no Distrito de Setúbal – Visão e estratégia de futuro”, reuniu especialistas e representantes de entidades públicas e privadas para discutir cenários, estratégias e medidas de adaptação, num contexto em que o stress hídrico se assume como um desafio estrutural.
Na sessão, a vice-presidente da câmara de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, destacou a necessidade de reforçar a cooperação entre instituições e garantiu que o município continuará a apostar numa política de água assente em “eficiência e sustentabilidade”, defendendo uma abordagem “justa e com visão de longo prazo”.
A autaraca, durante a sua intervenção, assegurou o compromisso do munícipio em “ampliar o investimento na modernização das redes, na redução das perdas, na eficiência energética dos sistemas e na sensibilização dos cidadãos para o uso responsável da água”.
Maria do Carmo Tiago destacou ainda a “reutilização de águas residuais tratadas” como uma área com potencial de crescimento, sobretudo para utilizações não domésticas, tais como na indústria, agricultura ou rega de espaços verdes.
A vice-presidente defendeu também que a resposta aos desafios atuais do stress hídrico “ultrapassam largamente a escala municipal” e que deve ser enfrentado numa lógica supramunicipal, com articulação regional, planeamento integrado e envolvimento de diferentes setores, incluindo empresas e academia.
Após a abertura feita por André Vilelas, delegado distrital da Ordem dos Engenheiros, o presidente do conselho de administração do Grupo Águas de Portugal apresentou a estratégia nacional “Água que une”, que prevê reforço da gestão integrada, modernização, digitalização e capacidade de armazenamento.
Seguiram-se intervenções do diretor da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, Rui Sequeira, com enfoque na região hidrográfica do Sado e impacto económico, e de Sofia Martins, secretária-geral da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), que apresentou linhas do Plano Estratégico do distrito.
A tarde incluiu ainda uma mesa-redonda moderada por Pedro Sirgado, onde foram discutidos temas como os polos industriais de Sines e Setúbal, dessalinização, abastecimento humano e reaproveitamento de águas residuais industriais, com participação de representantes da Águas de Santo André, Associação Intermunicipal de Água da Região de Setúbal, MadoquaPower2X e Repsol Polímeros.
A sessão terminou com a intervenção de Elisa Silva, vice-presidente da Ordem dos Engenheiros Região Sul.






