Ontem, na comissão parlamentar de saúde onde estava a ser ouvida, a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins afirmou que “a urgência do Barreiro vai fechar porque não tem condições para se manter aberta”, referindo-se à urgência de obstetrícia e ginecologia.
Ana Paula Martins expressou ainda aos deputados, e acrescento eu com distinto descaramento, que os profissionais de saúde do Hospital do Barreiro foram sujeitos a um “esforço desumano” quando as três urgências de obstetrícia da Península de Setúbal funcionaram em modelo de rotatividade, devido à falta de médicos para assegurar o funcionamento de todos os serviços.
Mas, como já escreveu Gabriel García Márquez, esta era a crónica de uma morte anunciada. O Serviço Nacional de Saúde tal como o conhecíamos já não existe. Este Governo está a encarregar-se de o desmantelar a pouco e pouco.
Ano após ano, o nascimento de crianças em ambulâncias tem vindo a crescer, já não sendo notícia por ter deixado de surpreender. Tornou-se banal. Dantes, as mulheres procuravam ou deslocavam-se a um hospital para parir; agora, procuram os bombeiros.
O encerramento deste serviço de urgência não é um problema exclusivo do Barreiro. Nem é um problema da Península de Setúbal. É um problema de todas as mulheres.
uís Montenegro, enquanto líder da AD em campanha eleitoral, diz que “não podemos aceitar que as mulheres portuguesas estejam intranquilas, inquietas, sem saber se vão ter o atendimento nos hospitais quando têm necessidades urgentes e prementes”. Luís Montenegro, Primeiro Ministro, permite que a Ministra da Saúde do seu Governo encerre as urgências de serviços de obstetrícia e ginecologia.
“Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz”, diz a sabedoria popular. Luís Montenegro é o Frei Tomás dos tempos modernos.
António Reguengos – Economista Conselheiro



