Autoeuropa vai produzir menos 40 mil carros em 2026

Melhorias na fábrica para a tornar mais ecológica e também para proceder à instalação de um modelo híbrido justificam tempos de paragens ainda não apurados e que irão ocorrer a partir de meio do ano. Pagamento dos salários na totalidade está garantido.

A produção da Autoeuropa em 2026 irá diminuir face ao ano anterior. A empresa estima que sejam postos no mercado cerca de 200 mil veículos, menos 40 mil do que no ano transato. Tal facto fica a dever-se a um conjunto de paragens que deverá ocorrer para que se procedam a melhoramentos em diversos setores da fábrica de Palmela.

“Está prevista uma redução significativa da produção. Isso deve-se à necessidade de efetuar um conjunto de obras relacionadas não só com os novos critérios de descarbonização, mas também para preparar o espaço onde, a partir do segundo semestre, será produzido um novo automóvel híbrido”, disse ao Semmais fonte conhecedora do processo. As obras previstas não deverão, ainda de acordo com o que foi possível apurar, interferir na fabricação do T-Roc com uma nova motorização de combustão, a qual já decorre.

O nosso jornal, nos contactos que fez na empresa, apurou também que os operários irão continuar a receber os salários na sua totalidade durante o período de paragem laboral. Essa foi uma exigência da Comissão de Trabalhadores e que ficou prevista no acordo obtido com a administração. Fica, contudo, estabelecida a possibilidade de recurso ao layoff durante o período em questão, sendo que nessa altura os vencimentos serão pagos em 66 por cento pela Segurança Social e o restante pela empresa.

As mesmas fontes contactadas garantiram também que já é seguro o aumento de 100 euros mensais para cada trabalhador para um período de 18 meses. Numa primeira fase, a partir de janeiro deste ano, serão pagos mais 50 euros, a que se soma a percentagem legal anunciada pelo Governo. Posteriormente, a partir de outubro deste ano e até junho de 2027, serão somados mais 50 euros mensais e uma percentagem de 2,5 sobre o vencimento.

Estes aumentos foram aprovados pelos trabalhadores que, durante as negociações, alertaram a administração para o facto de, apesar de a produção anual da fábrica de Palmela aumentar, o número de operários tem vindo a decrescer. “A automatização das linhas não para e isso obriga os operários a trabalharem a ritmos sempre superiores. É também isso que contribui, por exemplo, para as doenças profissionais que se vão registando todos os anos em número elevado”, afirmou um dos funcionários contactado.