Ponto prévio, sou advogado, como penso que sabem, social-democrata, não gosto, nem nunca gostei do que José Sócrates representa, os seus valores, a sua forma de actuar, a sua arrogância e tudo aquilo que sabemos que fez (e não, não o estou a condenar criminalmente, porque aí goza da presunção de inocência, mas estou a condenar a sua conduta pública, social e política e essa ninguém me pode impedir de analisar e comentar).
Sei que se discute muito o curso de engenharia de José Sócrates, tirada no fim-de-semana, mas eu em vez de lhe chamar Sr. Engenheiro, passo a chamar-lhe Sr. Dr., uma vez que penso que o “Senhor Inginhêro” passou algum do seu tempo livre a estudar como fintar o sistema e com dinheiro, meios e advogados dispostos a isso, convenhamos que tem conseguido e já sabe fintar melhor a lei do que alguns advogados.
Primeiro foram os requerimentos de suspeição dos juízes, depois os recursos e agora tem este “esquema” de fazer todos os advogados renunciarem e, tendo em consideração o anormal volume(s) do processo, naturalmente o problema vai agudizar-se bastante, na medida em que, o tempo vai escasseando – o relógio para a prescrição é proporcionalmente oposto ao nosso tempo normal – e o(s) próximo(s) advogado(s) seguramente também não vão prescindir do prazo, atrasando ainda mais o processo.
O que se segue é a pergunta de “um milhão de dólares” e eu colocava outra pergunta com a mesma importância que é, qual o próximo coelho que o Eng, perdão, o Dr Sócrates vai tirar da cartola?
Não sei, como ninguém sabe, mas do ponto de vista político, tenho defendido que simbolicamente o Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados devia oferecer-se para patrocinar o arguido mais famoso do país, não por ser o melhor advogado, mas pelo simbolismo do seu cargo que inclusive seria uma “contra-revienga” a José Sócrates, já que aí teria mais dificuldades a destratar este advogado e o Sr Bastonário naturalmente teria de cumprir escrupulosamente os ditames das regras da sua Ordem e seria o garante de estabilidade processual.
Por outro lado, José Sócrates, pode até estar a dar a volta ao sistema, brincando co ele, ridicularizando até, mas uma coisa ele consegue garantir – alterou no seu caso concreto o paradigma da presunção de inocência, na medida em que não deve haver um português a acreditar que ele seja inocente, porque um inocente, não desperdiçará uma oportunidade de ganhar na secretaria mas, nunca usaria apenas expedientes para ganhar. Tentaria provar que a acusação é falsa e está mal construída. Mas cada um sabe como quer ser lembrado e, Sócrates já escolheu como o quer ser.



