O futuro passa por aqui – Conselho Estratégico da CIM Península de Setúbal

Paulo Lopes

No passado dia 18, participei na tomada de posse do Conselho Estratégico da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal. Foi dado mais um passo no caminho da construção do Plano Estratégico para a nossa região — um caminho que exigirá visão, coragem e maturidade coletiva.

Num tempo em que celebramos os 50 anos do poder local democrático, este momento representa mais do que um ato institucional: representa a consciência de que os desafi os do presente obrigam a uma nova capacidade de convergência, aprofundando ainda mais o processo de decisão junto das, empresas, das instituições e das pessoas.

Mas a democracia não vive apenas da memória das conquistas passadas, vive da capacidade de adaptação e respostas aos desafi os do presente e de preparação do futuro.

E hoje, talvez como nunca nas últimas décadas, a Península de Setúbal enfrenta um desses momentos decisivos.

Somos uma região de enorme potencial industrial, logístico e humano. Uma região que produz riqueza, trabalho e conhecimento. Uma região estratégica para o país. E, no entanto, continuamos a carregar um paradoxo difícil de aceitar: somos, excluindo as regiões autónomas, a região com o PIB per capita mais baixo do país.

Esta realidade não pode ser encarada como uma fatalidade, mas antes como uma convocatória. Uma convocatória à união e convergência.

É precisamente aí que o Conselho Estratégico da CIM assume uma importância histórica. É uma plataforma de encontro entre diferentes experiências, sensibilidades e competências. É um espaço onde o poder político, o setor empresarial, o terceiro setor, a academia, a administração pública e a sociedade civil são chamados a pensar em conjunto aquilo que tantas vezes foi pensado separadamente.

O futuro da Península de Setúbal não será construído por uma instituição isolada. Nem por um município sozinho. Nem por uma geração apenas. Será construído pela capacidade de unir indústria e inovação, habitação e mobilidade, saúde e educação, ambiente e desenvolvimento económico. Será construído pela inteligência coletiva de uma região que percebeu que competir entre si é perder tempo, enquanto cooperar é ganhar futuro.

O Plano Estratégico que irá começar a ganhar forma será o grande documento orientador de uma nova ambição regional. Um documento capaz de alinhar investimentos, prioridades e oportunidades. Um documento capaz de preparar a Península de Setúbal para o próximo quadro comunitário europeu de 2028- 2034, mas, sobretudo, capaz de preparar a região para as próximas gerações.

Porque é disso que verdadeiramente falamos.

Falamos do futuro dos nossos filhos e dos nossos netos.

Falamos da possibilidade de criar uma região onde os jovens não tenham de partir para procurar oportunidades, onde as empresas encontrem condições para crescer, onde os serviços públicos respondam com qualidade, onde o desenvolvimento económico caminhe lado a lado com a dignidade social.

O currículo das instituições e das pessoas que integram este Conselho fala por si. Mas a história recordar-nos-á não pelo currículo que tínhamos à partida, mas pela coragem que demonstrarmos na construção de soluções eficazes.

Se isso acontecer, então este poderá ser lembrado como o momento em que a Península de Setúbal iniciou um novo ciclo histórico.

Um ciclo de confi ança, um ciclo de desenvolvimento, porque nesta região existe talento, existe capacidade, existe identidade.

E, acima de tudo, existe futuro.

Paulo Lopes – presidente da Assembleia Intermunicipal da CIM Setúbal