Empresa responsável pelo tratamento de resíduos na península rejeita críticas sobre tarifas e qualidade do serviço, sublinhando o reforço da capacidade de tratamento, da recolha seletiva e das infraestruturas na última década.
A Amarsul não aceita as críticas dos municípios da península de Setúbal relativamente ao aumento das tarifas aplicadas ao tratamento de resíduos e à qualidade do serviço prestado, defendendo que tem realizado um esforço significativo de investimento e modernização da sua atividade.
Em declarações ao Semmais, a administração da empresa refere que investiu cerca de 75 milhões desde 2017 na criação de novas infraestruturas, no aumento da capacidade de tratamento e no desenvolvimento da recolha seletiva e do tratamento de biorresíduos. “A recolha seletiva registou um crescimento de cerca de 81%, tendo igualmente sido criada capacidade dedicada ao tratamento de biorresíduos recolhidos seletivamente, em linha com os objetivos definidos para o setor”, sustenta a empresa.
Segundo a Amarsul, o reforço dos meios operacionais também se traduziu no aumento da frota afeta à recolha seletiva, que passou de 30 viaturas, em 2017, para 43 em 2025.
Para além disso, a empresa destaca ainda a expansão da rede de ecopontos que quase duplicou na última década, passando de 2.581 para 4.990 unidades, bem como o alargamento da cobertura da recolha seletiva a mais de 333 mil alojamentos. “Desde 2016, foram investidos cerca de 18 milhões no reforço da contentorização e da frota”, acrescentam os responsáveis.
Contestação dos municípios sobe de tom
A resposta da Amarsul surge depois de a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIMPS) ter manifestado publicamente preocupação com o aumento dos encargos suportados pelos consumidores, atribuindo-o à subida das tarifas aplicadas pela empresa. Na mesma tomada de posição, os municípios defenderam também a procura de soluções alternativas para o tratamento e valorização dos resíduos produzidos na região.
Atualmente, a tarifa cobrada pela deposição de resíduos em aterro ascende a 77,03 euros por tonelada, valor ao qual acresce a Taxa de Gestão de Resíduos, fixada pelo Estado, superior a 40 euros por tonelada.
A empresa reconhece que o setor enfrenta desafios significativos, mas defende que a evolução tarifária está associada às novas exigências legais e ambientais impostas nos últimos anos. “Esta evolução da tarifa da Amarsul entre 2017 e 2026 reflete, sobretudo, a profunda transformação que o setor dos resíduos urbanos atravessou nos últimos anos, em resultado de novas exigências legais e operacionais, sobretudo na recolha e tratamento seletivos”, argumenta.
A administração salienta igualmente que a atual estabilização tarifária resultou de um trabalho desenvolvido em conjunto com os municípios, nomeadamente através da atualização dos valores de contrapartida dos materiais recicláveis, que permaneciam inalterados desde 2016.
Por outro lado, a Amarsul identifica ainda o crescimento da produção de resíduos urbanos como um dos principais fatores de pressão sobre o sistema. De acordo com os últimos dados citados pela empresa, em 2024 foram produzidas cerca de 5,55 milhões de toneladas de resíduos urbanos em Portugal Continental, um aumento de 3,97% face ao ano anterior.
Para a entidade gestora, esta tendência reforça a necessidade de investimento contínuo em infraestruturas de tratamento e valorização, defendendo que os desafios do setor exigem uma atuação articulada entre empresas, municípios e restantes entidades públicas com responsabilidades na área dos resíduos.






