PS exige o acesso sem restrições aos residentes do Vale da Rasca na Arrábida

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O PS de Setúbal exigiu hoje acesso sem restrições para os moradores do Vale da Rasca, que estão obrigados a percorrer diariamente mais 12 quilómetros para chegar às suas casas, devido aos condicionamentos do trânsito na Arrábida.

Em comunicado, os vereadores socialistas na câmara de Setúbal referem que, com a entrada em vigor do Programa Arrabida sem Carros 2026, no dia 4 de junho, “as radicais limitações à circulação” não vieram apenas restringir o acesso de carro aos visitantes das praias da Arrabida, “mas também limitar a mobilidade dos moradores do Vale da Rasca”.

Segundo o PS, os moradores do Vale da Rasca são agora obrigados a percorrer cerca de 12 quilómetros adicionais para chegar a casa, “situação que tem um impacto significativo e representa uma sobrecarga que se reflete diariamente no seu orçamento familiar e na sua qualidade de vida”.

“Neste sentido, e por ser incompreensível que os moradores do Vale da Rasca estejam impedidos de circular para aceder às suas próprias casas, enquanto qualquer pessoa que apresente uma reserva num restaurante ou “beach club’ beneficia dessa autorização – exceção que não está prevista no programa, mas que, na prática, é aceite, os vereadores do PS exigem “a imediata correção desta profunda injustiça”, lê-se na nota.

Na quarta-feira, na reunião de câmara, o vereador socialista Joel Marques já tinha criticado as restrições à circulação automóvel impostas aos moradores do Vale da Rasca devido ao condicionamento de trânsito entre o cruzamento da Rua Amália Rodrigues com a Travessa da Rua da Saúde e a Praia da Figueirinha.

O autarca do PS considerou ainda que o atual modelo implementado pela câmara de Setúbal constitui uma limitação ao acesso das populações às praias e ao Parque de Merendas da Comenda, alegando que os transportes públicos disponíveis nem sempre conseguem responder à procura durante a época balnear.

Na resposta, a vice-presidente da câmara, Maria do Carmo Tiago, reconheceu os constrangimentos sentidos pelos moradores do Vale da Rasca, mas assegurou que a situação está a ser acompanhada pela autarquia e que as restrições resultam da necessidade de garantir condições de segurança na estrada, que tem dois estreitamentos que impedem o cruzamento de viaturas, devido a derrocadas provocadas pelos temporais ocorridos no início do ano.

“Temos de criar meios para quando chegar à faixa de estreitamento, em vez da pessoa andar mais 12 quilómetros, não ficar lá duas horas”, disse Maria do Carmo Tiago, sublinhando que o objetivo é “evitar situações em que ambulâncias, bombeiros ou forças de segurança fiquem impedidos de circular”.

A autarca insistiu que as limitações atualmente em vigor decorrem das condições de segurança existentes após as tempestades, não existindo qualquer intenção de restringir o usufruto das praias.

Maria do Carmo Tiago adiantou também que o município está a monitorizar a situação em conjunto com entidades como a Proteção Civil, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a GNR, a PSP e a Capitania do Porto de Setúbal.

Durante a reunião, a vice-presidente confirmou igualmente que a autarquia está a trabalhar numa solução de transporte maritimo para acesso às praias da Arrábida, com o objetivo de reduzir a pressão sobre a circulação rodoviária, apontando a época balnear de 2027 como horizonte para a implementação da medida.

Por outro lado, Maria do Carmo Tiago rejeitou as criticas que têm sido feitas ao executivo camarário, liderado pela independente Maria das Dores Meira (eleita pelo movimento “Setúbal de Volta”, que teve o apoio do PSD e do CDS-PP) de não salvaguardar os interesses da população por não garantir o livre acesso às praias da Arrábida, acabando por favorecer os interesses dos proprietários da Herdade da Comenda, que interpuseram uma ação judicial a reclamar a propriedade de cinco praias.

Essas acusações ao município foram hoje foi reiteradas, em comunicado, pelos promotores da caminhada “Deslarrrguem a Arrabida”, realizada no domingo, e que solicitaram uma reunião urgente com a edilidade.

“Por que razão, depois de tantos meses, continua encerrado pela Câmara Municipal de Setúbal o Caminho Municipal 1056 (que impede o livre acesso ao Parque de Merendas da Comenda e à beira-mar) quando se verifica que está completamente livre e transitável, ao contrário da ideia propalada de que a tempestade Kristin deixou tudo devastado”, questionam os promotores.

Os responsáveis exigem que a câmara “desloque a barreira de acesso automóvel do programa Arrabida Sem Carros 2026 para o ponto onde estava no ano passado durante a época balnear, no cruzamento da Rasca/Secil, permitindo, assim, o livre acesso automóvel ao Parque de Merendas da Comenda e ao alto da Serra da Arrabida”, lê-se ainda na nota.