Há momentos em que uma região percebe que está perante uma oportunidade que não pode desperdiçar. O primeiro Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIMPS), realizado em Palmela, foi um desses momentos: mais do que um encontro institucional, foi um sinal claro de que a Península de Setúbal quer assumir o seu próprio destino.
Enquanto jornalista, tive o privilégio de moderar uma das mesas-redondas deste Fórum. Mas, para além do papel profissional, estive presente com a convicção de quem há muito defende que a Península de Setúbal precisava de uma voz própria, de uma estratégia comum e de uma entidade capaz de unir vontades em torno de um objetivo maior: o desenvolvimento equilibrado e sustentável deste território.
A criação da CIMPS representa uma mudança estrutural. Durante mais de uma década, a Península de Setúbal esteve condicionada por uma integração administrativa e estatística na Área Metropolitana de Lisboa que não refletia a sua realidade económica e social. Essa opção teve consequências profundas: limitou o acesso a fundos europeus, reduziu oportunidades de investimento e penalizou uma região com enormes potencialidades, mas também com desafi os muito próprios.
Agora abre-se uma nova etapa. Com a CIMPS, a região passa a ter condições para afirmar a sua identidade regional, construir uma estratégia própria e defender junto do poder central e das instituições europeias aquilo que há muito reclama: igualdade de oportunidades para crescer.
O Fórum demonstrou que existe uma vontade transversal de construir essa visão. Autarcas, Governo, universidades, empresas e representantes de diferentes setores estiveram reunidos não apenas para diagnosticar problemas, mas para encontrar caminhos. Uma região só avança quando consegue transformar as suas diferenças numa força coletiva.
A Península de Setúbal tem recursos únicos: uma localização estratégica, património natural, capacidade industrial, portos, conhecimento, universidades, turismo, agricultura, cultura e comunidades com enorme potencial. Mas precisa de planeamento, cooperação e investimento. A CIMPS pode ser o instrumento que faltava para juntar estas peças e criar uma estratégia regional ambiciosa.
O desafio agora é enorme. A criação da Comunidade Intermunicipal não é o ponto de chegada; é o ponto de partida. A nova entidade terá de provar que consegue transformar expectativas em resultados, projetos em realidade e reivindicações antigas em conquistas concretas.
O próximo ciclo de fundos europeus será uma oportunidade decisiva. Mas mais importante do que captar recursos será saber aplicá-los numa visão de futuro: criar emprego qualificado, melhorar a mobilidade, reforçar a coesão social, proteger o ambiente e valorizar a identidade de uma região que durante demasiado tempo sentiu que fi cava à margem das grandes decisões.
A Península de Setúbal não quer ser apenas uma periferia de Lisboa. Quer afirmar-se como uma região com identidade, capacidade e ambição.
O primeiro Fórum da CIMPS mostrou que esse caminho começou. Agora é tempo de transformar esta nova esperança numa estratégia concreta e numa realidade que beneficie todos os que vivem e trabalham neste território.



