Pescadores e operadores turísticos estão em risco de ficarem sem trabalho devido à falta de segurança na estrutura, cuja responsabilidade, diz a câmara, pertence à APL.
O avançado estado de degradação do pontão e do cais de acostagem de Alcochete, no Rio Tejo, “está a colocar em risco de vida” os seus utilizadores e a inviabilizar que alguns negócios, nomeadamente os dos pescadores profissionais, que correm o risco de não poderem continuar a trabalhar devido à falta de condições de segurança. Quem o diz é o presidente da autarquia local, que exige que a Administração do Porto de Lisboa (APL), responsável pela estrutura, faça obras urgentes.
“Não há memória da última intervenção de fundo que ali foi feita, mas toda a gente reconhece que são necessários trabalhos aturados para que, dentro de algum tempo, não tenhamos de estar a lamentar alguma tragédia”, diz ao nosso jornal o presidente da câmara de Alcochete, Fernando Pinto.
O autarca diz que os problemas detetados, nomeadamente as quebras das baias de proteção lateral e os buracos que se têm vindo a abrir no pavimento, estão referenciadas há muito e já mereceram o envio de relatórios para os dois últimos elencos governamentais. “Primeiro enviámos um relatório pormenorizado ao ministro João Galamba, ainda era António Costa o primeiro ministro. Dois meses depois o Governo caiu e a câmara tratou de aprimorar ainda mais o documento, remetendo-o ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz. Fizeram-se reuniões, mas o que é certo é que, no entanto, nenhuma obra foi iniciada”, afirma.
O autarca alcochetano diz, por outro lado, que não pode ser a autarquia a suportar todas as despesas de equipamentos que não lhe pertencem. “Nós vamos tentando remediar o problema, mas não podemos aceitar que o Estado e os seus organismos transfiram para as autarquias todas as responsabilidades dos recursos hídricos”, acrescenta.
Fernando Pinto diz que a estrutura “não irá, quase de certeza, sobreviver ao próximo inverno” e entende que é tempo de a APL fazer as obras de segurança que, no seu entender, estão a causar problemas a vários níveis: “Não está inoperacional, mas certamente não vai resistir ao próximo inverno e aos ventos de Norte. Agora parece um cemitério de baias. As proteções estão todas caídas. Os pescadores profissionais, não sendo uma comunidade muito numerosa, precisam de ter condições para atracarem em segurança. Precisam de poder continuar a trabalhar. Depois há toda a componente turística do local. Nos últimos tempos a câmara conseguiu colocar um pilarete que impede a passagem de viaturas particulares, mas a continuam a existir riscos até para quem ali circula a pé. O próprio bote que o município utiliza para passeios turísticos tem a tarefa muito dificultada”






