Na programação, que conta com 23 espetáculos e outras atividades, destaca-se a valorização de temas como os direitos humanos, inclusão e a crise climática.
Na 28.ª edição da Festa do Teatro, o Festival Internacional de Teatro de Setúbal, reafirma-se como um espaço de reflexão, debate e questionamento sobre diversas temáticas que marcam o mundo de hoje. O certame, que decorre de 20 a 29 de agosto, apresenta uma programação que conta com 23 espetáculos, de companhias nacionais e estrangeiras, onde serão abordados temas como os direitos humanos, imigração, guerras, crise climática e inclusão.
Apresentada quinta-feira na Casa da Cultura, a Festa do Teatro integra 14 espetáculos na secção oficial e nove na secção ‘off’, além de conversas, uma exposição, o lançamento de um livro, curtas-metragens, três concertos e “um passeio pela inclusão”.
“Esta edição traz uma vez mais uma programação diversificada e consciente dos tempos que correm. São várias as companhias que nos trazem a relação com o outro, a solidariedade e a luta por um mundo mais justo e equitativo. Além do questionamento sobre fronteiras individuais e coletivas, assim como a presença de conflitos que levam ao exílio e imigração”, salientou Patrícia Paixão, atriz e coordenadora da programação do festival organizado pelo Teatro Estúdio Fontenova.
A decorrer em vários espaços da cidade, designadamente no Fórum Luísa Todi, Escola Secundária Sebastião da Gama, Museu do Trabalho Michel Giacometti, Casa da Cultura e muitos outros, o certame arranca às 18h00 do dia 20 de agosto com uma sessão de abertura que inclui um concerto do duo luso-brasileiro Couple Coffee, nos Claustros do Convento de Jesus.
Entre as atividades programadas, destaque para a apresentação do livro “Peixe P’Ó Gato – Histórias da luta pelo pão”, que inclui a dramaturgia, investigação histórica e recolha de testemunhos sobre uma expressão que em Setúbal tratava de esconder de forma envergonhada a pobreza e a fome. A obra conta com direção artística de Leonardo Silva.
Reivindicação por um espaço próprio
O diretor artístico do Teatro Estúdio Fontenova e do Festival Internacional de Teatro de Setúbal, José Maria Dias, aproveitou a apresentação do certame para defender a criação de um espaço cultural de média dimensão na cidade, uma reivindicação antiga ainda sem resposta do município sadino.
“É de conhecimento geral que a cidade e o festival em particular merecem um espaço com mais condições para acolher (companhias e espetáculos). Gostaríamos que esta fosse também uma prioridade, que se reforcem as infraestruturas e que pensemos juntos em estratégias culturais”, afirmou, aludindo, à candidatura do município a Capital Portuguesa da Cultura para 2028.
José Maria Dias reconheceu, no entanto, que a edilidade continua a ser, “desde a primeira hora”, o principal parceiro do festival, que este ano conta um apoio financeiro de 45 mil euros, além da ajuda na logística.
Apesar das dificuldades com que se tem deparado ao longo do percurso, José Maria Dias diz ter “um sentimento de dever cumprido com o público e a cidade”.
Paulo Maia, vereador da câmara de Setúbal, presente na cerimónia, reconheceu a reivindicação feita por José Maria Dias e garantiu que a criação da referida sala de dimensão média constitui um objetivo do atual executivo, mas não se comprometeu com nenhuma calendarização para a concretização desse projeto.
O autarca salientou ainda que a Festa do Teatro é “um dos mais relevantes e consistentes projetos culturais da cidade” e “uma referência incontornável no panorama teatral português”.






