Para os militantes comunistas trata-se mais do que um festival político, mas uma oportunidade de encontro e convívio num evento que reúne ofertas culturais, desportivas, gastronómicas, musicais e teatrais.
Cinquenta anos depois da primeira edição, a Festa do Avante regressa à Quinta da Atalaia, no Seixal, num momento particularmente difícil para o PCP, marcado pelos seus piores resultados eleitorais em democracia. Ainda assim, os comunistas apresentam a iniciativa como um espaço aberto, que ultrapassa a dimensão partidária e pretende ser “para todos”.
Realizada inicialmente em Lisboa e Loures, a Festa do Avante encontrou na Atalaia a sua morada mais estável. Desde quinta-feira e até este sábado, assinala meio século de existência, mantendo a dimensão política, mas também uma programação cultural e de lazer diversificada.
“Procuram impor-nos o ódio, a injustiça, a ideia de que não há esperança. A Festa do Avante é o contrário: é a festa da esperança, da alegria, da construção coletiva e da união das pessoas”, afirma ao Semmais Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, que vê na iniciativa um “momento de resistência” perante a atual conjuntura nacional e internacional.
Paulo Raimundo começou a frequenter o eventoa aos 15 anos, ainda antes de ser militante. “Fiquei extremamente impactado. Além do convívio, aquilo despertou-me a consciência para o que a ação coletiva pode construir”, recorda ao nosso jornal.
A dimensão coletiva é também destacada por João Pauzinho, militante e membro da Direção da Organização Regional de Setúbal do PCP. “A minha primeira vez na festa ainda foi em Loures, com 15 anos. Depois comecei a participar ativamente nas Jornadas de Trabalho. Para os militantes e muitos simpatizantes, a construção da festa é muito mais do que a própria festa”, sublinha.
É também ali que se encontram gerações e se criam relações. “A minha atual companheira foi lá que a conheci. Só quem lá está tem dimensão daquilo: são duas a três mil pessoas a dedicarem-se à construção da festa”, conta, defendendo que, apesar de “procurarem dizer que a festa é dos comunistas”, ela “é para todos”.
A mudança para a Quinta da Atalaia, em terreno adquirido pelo PCP, permitiu ultrapassar vários constrangimentos das primeiras edições. Valdemar Santos, militante desde 1976 e participante desde a fundação, recorda um dos episódios mais tensos: “Nesse ano colocaram uma bomba e o ambiente estava muito tenso, mas felizmente reinou a calma”.
Luísa Ramos, presente em todas as edições, considera que a mudança para o Seixal foi decisiva. “A partir daí já não dependíamos de ninguém e podíamos fazer a festa consoante as nossas expectativas. Foi uma decisão acertada, porque a festa cresceu em espaço e visitantes”, afirma.
Meio século depois, a Festa do Avante continua a procurar conciliar identidade política, cultura e convívio, mantendo a ambição de ser um espaço aberto para além das fronteiras partidárias.






