Até 8 de setembro Palmela volta a vestir-se de festa para celebrar a vinha, o vinho e as suas gentes. A 63.ª edição mantém os principais rituais de uma tradição com mais de seis décadas, mas junta-lhes música, cultura, gastronomia, desporto e muita animação.
Há tradições que resistem ao tempo porque continuam a fazer sentido para as comunidades que as vivem. É o caso da Festa das Vindimas de Palmela, que este ano regressa sob o lema “A Tradição que nos Une”, reafi rmando a ligação entre a identidade do concelho, a vinha e o vinho.
A história da festa começou em 1963, quando uma comissão de 14 homens concretizou uma ideia que vinha sendo pensada desde o fi nal da década de 1950: criar em Palmela uma celebração anual dedicada à uva, ao vinho e ao trabalho das populações ligadas à vitivinicultura. A inspiração veio também das festas do vinho de Jerez de la Frontera, em Espanha, e rapidamente a iniciativa ganhou dimensão e identidade próprias.
Ao longo de mais de seis décadas, alguns momentos tornaram-se indissociáveis da festa. A Pisa da Uva e Bênção do Primeiro Mosto, os cortejos, a eleição da Rainha das Vindimas e a participação das coletividades mantêm viva a ligação às tradições agrícolas e à memória de Palmela.
A edição de 2026 arranco oficialmente ontem, depois da Gala de Eleição da Rainha das Vindimas, que aconteceu na quarta-feira , no Cine-Teatro São João. Durante seis dias, as ruas e praças da vila serão ocupadas por um programa que procura conciliar tradição e modernidade.
A música terá, naturalmente, lugar de destaque. Pelo palco principal passam os Sangre Ibérico, FF com a Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária, Tributo a Phill Collins, Herman José com a Banda da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros” e ABBAMIA. O programa inclui ainda bandas e grupos locais, Orquestra das Vindimas, DJs, samba e jazz.
Mas a festa vai muito além dos concertos. Trail das Vindimas, Rampa das Vindimas, Prova de Orientação, Passeio Motard e Tarde do Garrafão são algumas das propostas que reforçam a componente participativa, a par do folclore, gastronomia e animação para todas as idades.
O dia de domingo será um dos momentos altos. De manhã, o Cortejo dos Camponeses transporta as primeiras uvas até ao centro da vila, seguindo-se a tradicional Pisa da Uva e Bênção do Primeiro Mosto. À tarde, às 17h00, realiza-se o Cortejo das Vindimas, um dos momentos mais aguardados, que leva para a rua a criatividade das associações e da comunidade.
A festa termina a 8 de setembro, com o Cortejo Noturno das Vindimas e a atuação dos ABBAMIA
Mais do que uma celebração do vinho, a Festa das Vindimas continua, assim, a ser um momento de encontro da comunidade e de afi rmação da identidade de Palmela. Uma tradição que atravessa gerações e que, seis décadas depois, continua a encontrar na vinha uma das suas mais fortes razões para celebrar.






