Península de Setúbal enfrenta risco de desequilíbrio entre oferta e procura de água

Agua setúbal

O estudo “Península de Setúbal – Resiliência Hídrica”, apresentado esta quinta-feira em Setúbal pela Águas de Portugal e pela câmara de Setúbal para assinalar o Dia Nacional da Água, resulta de um processo colaborativo que reuniu municípios, entidades públicas, gestores de serviços de água, comunidade científica e utilizadores.

A Península de Setúbal enfrenta um potencial desequilíbrio entre a oferta e a procura de água num futuro próximo, alerta um estudo promovido pela Águas de Portugal, apontando a reutilização da água e a eficiência hídrica como soluções prioritárias.

O estudo “Península de Setúbal – Resiliência Hídrica”, apresentado esta quinta-feira em Setúbal pela Águas de Portugal e pela câmara de Setúbal para assinalar o Dia Nacional da Água, resulta de um processo colaborativo que reuniu municípios, entidades públicas, gestores de serviços de água, comunidade científica e utilizadores.

O objetivo apontado para a elaboração do documento prende-se com a criação de uma base de conhecimento sólida para apoiar decisões futuras numa zona que está numa fase de acentuada transformação económica e territorial com a expansão das atividades industriais, urbanas, turísticas e logísticas, bem como pela perspetiva de instalação de novos projetos estruturantes, entre os quais o novo aeroporto e cidade aeroportuária, a terceira travessia do Tejo (Barreiro – Chelas) e a expansão do Metro Sul do Tejo até Alcochete.

Segundo o estudo, o sistema aquífero da Bacia do Tejo-Sado – Margem Esquerda é a massa de água subterrânea mais relevante de Portugal em termos de disponibilidade hídrica e a principal reserva de água da Península de Setúbal, “um território que depende quase exclusivamente de captações subterrâneas para o abastecimento público e atividades económicas”.

“O estudo aqui apresentado alerta para um potencial desequilíbrio entre oferta e procura de água na Península de Setúbal num futuro próximo que pode ser evitado através da implementação de medidas estruturais a curto e médio prazo“, lê-se no documento.

Do ponto de vista técnico e ambiental, adianta o estudo, há sinais de alerta que justificam um olhar imediato: “estudos recentes apontam para estabilidade ou descida dos níveis piezométricos, com maior intensidade em períodos de seca, e para uma evolução desfavorável da qualidade da água nos níveis mais superficiais”.

Por outro lado, adianta, existem polos significativos de extração de água subterrânea junto a aglomerados industriais e urbanos, associados a rebaixamentos relevantes e indícios de intrusão salina em zonas próximas do litoral e os cenários climáticos futuros apontam para uma redução progressiva da precipitação e, consequentemente, do escoamento anual, com impacte negativo na recarga do aquífero.

Face a este cenário, é proposta como medida prioritária a promoção da reutilização de água na Península de Setúbal como ponto de partida para robustecer o abastecimento de água e proteger o sistema aquífero, em paralelo com o reforço da eficiência hídrica.

“Considerando que o setor industrial representa uma parcela significativa e – com tendência crescente – da pressão sobre os recursos hídricos, propõe-se o desenvolvimento de modelos colaborativos e inovadores que promovam simbioses entre sistemas descentralizados das unidades industriais do território e os sistemas centralizados dos serviços públicos de saneamento e de produção de ApR (água para reutilização)”, refere o estudo.

Neste contexto, o estudo aponta que o pretendido será mobilizar o potencial existente na região, estimado em cerca de 60 hm³, resultante da combinação de efluentes urbanos e industriais, promovendo a sua utilização integrada, em articulação com a adoção de medidas de eficiência hídrica.

A Península de Setúbal é composta por nove municípios (Almada, Barreiro, Seixal, Sesimbra, Moita, Alcochete, Montijo, Palmela e Setúbal) com quase um milhão de habitantes e tem uma diversidade territorial que conjuga zonas urbanas densamente povoadas e industrializadas com extensas áreas naturais de elevado valor ecológico.

Segundo o estudo, existem atualmente 185 captações para abastecimento urbano na Península de Setúbal (ERSAR, 2025) e a sua distribuição não é uniforme no território e o licenciamento de novas captações está sujeito a critérios rigorosos, incluindo reporte automático de volumes, instalação de sensores de nível e revisão periódica dos títulos existentes.