O “Alienista”, conhecido conto da literatura brasileira, aborda a fronteira entre a sanidade e a loucura, retratando a sociedade da época, do escritor brasileiro Machado de Assis. Muitos consideram-no um conto, mas eu considero-a uma sátira à sociedade.
No fundo a história versa sobre o Dr. Simão Bacamarte, médico psiquiatra, homem da ciência, que constrói um asilo em Itaguaí e, aos poucos, toda a sociedade vai entrando nesse hospício.
Mas quem eram, afinal, os loucos? Esta é uma reflexão sobre a fronteira entre a sanidade e a loucura, ao mesmo tempo que constrói um retrato crítico da sociedade da época.
Vem isto a propósito de um alienista dos nossos tempos. De nome Donald Trump. Não é o único, mas é o maior. E todos que o seguem.
Pode uma democracia, com instituições sólidas e mecanismos de fiscalização sucumbir, como um baralho de cartas às mãos de um alienista? Ou melhor, de um alienado.
Podem as instituições internacionais que tínhamos por sólidas, com fortes fundações, erigidas dos destroços da segunda guerra mundial, ainda com a memória da 1.ª Guerra Mundial e pensada pelos vencedores daquela, sucumbirem, como um baralho de cartas, apenas pela mão de um alienista? Pelos vistos a resposta é sim.
E em Portugal, este perigoso alienista tem um seguidor e um partido, que é o Chega de André Ventura, que, avisado pelo que aconteceu no Canadá e na Austrália, onde os apoiantes de Trump, perderam copiosamente, tem evitado a colagem, mas ninguém que vá votar se pode esquecer, destes alinhamentos, assim como a sua grande referência Europeia, Marine Le Pen que foi considerada culpada pela justiça francesa, pelo desvio de fundos europeus para pagar a assessores do seu partido em França – um esquema que durou entre 2004 e 2016. Foi condenada a quatro anos de prisão — dois de prisão efectiva, podendo cumpri-los com pulseira eletrónica.
Os eleitores, chamados ao voto já neste domingo, 11 de maio ou no dia 18 de Maio, não podem esquecer o preço da estabilidade e não podem desperdiçar um voto em quem não cuida da estabilidade.
Um eleitor de direita, não quer uma AD dependente nem do Partido Socialista, nem do Chega, mas ao votar no Chega, por exemplo, apenas como protesto, está a votar na instabilidade, naqueles que, se for preciso, votam contra aquilo que eles próprios apregoam, aliando-se ao PS, apenas para prejudicar o governo. Querem um exemplo? Governo apela ao Chega que volte atrás no chumbo da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras.
O Chega que quer expulsar os imigrantes, quando o governo apresentou uma proposta concreta da criação de uma Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras que o Governo queria criar na PSP, para que conseguisse operacionalizar a deportação dos imigrantes ilegais, essa proposta foi, chumbada na comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A proposta do executivo teve votos contra de toda a oposição, à excepção da IL que se absteve.
O Chega, votou com toda a esquerda. Essa é que é essa. E agora, está na altura de castigar esta coligação negativa, entre o PS, o Chega e todos os partidos da esquerda, castigando o Alienista português.
Paulo Edson Cunha – candidato da AD pelo Círculo Eleitoral de Setúbal



