Pandemia dá sinais tímidos de retrocesso no distrito de Setúbal

Hoje contaram-se 710 infetados, menos um que ontem. O país vai sair do estado de emergência e entrar no de calamidade. DGS não descura o surgimento de uma segunda vaga de Covid-19.

A pandemia de Covid-19 no distrito de Setúbal parece ter entrado numa fase de estabilização e até de pequena regressão. Depois de na segunda-feira se ter registado, oficialmente, menos um doente, hoje registou-se igual diminuição. Segundo os dados da Direção Geral de Saúde (DGS) existem agora na região 710 pessoas infetadas.

Almada e Seixal, os dois concelhos onde a doença mais se tem feito sentir, mantiveram hoje os valores da véspera com, respetivamente, 231 e 163 pessoas infetadas. Dados estatísticos referentes a outros concelhos do distrito referem que há 89 casos positivos no Barreiro, 61 na Moita e 59 em Setúbal. No grupo dos concelhos com menos incidência há ainda a registar os 44 casos do Barreiro, os 20 de Sesimbra, os 16 de Palmela e os 14 de Alcochete.

Em relação aos concelhos do Litoral Alentejano integrados no distrito, continuam a verificar-se algumas discrepâncias. Assim, enquanto a DGS refere quatro doentes em Alcácer do Sal, sete em Grândola e 14 em Santiago do Cacém, as respetivas câmaras municipais dizem que os valores registados são de dois doentes e três recuperados em Alcácer do Sal, seis ativos, cinco recuperados e 12 pessoas em vigilância em Grândola e, finalmente, cinco doentes ativos e oito recuperados em Santiago do Cacém. Em Sines, de acordo com a autarquia, não há registo de doentes ativos, contando-se apenas dois casos de pessoas já recuperadas.

Por regiões, continua a ser no Norte que se contabilizam mais infeções (14.702) e mortes (546). No Centro há hoje 3289 doentes e 154 vítimas mortais. Em Lisboa e Vale do Tejo o número de pacientes cifra-se agora nos 5593 e o de mortos em 185. Já no Alentejo o número de infeções confirmadas ascendeu a 201 mantendo-se apenas o registo de um morto. O Algarve conta com 330 doentes e 12 óbitos, enquanto que os Açores registam 121 casos positivos e dez óbitos. A Madeira tem 86 doentes e zero mortos.

Até hoje a pandemia já fez 948 mortos em Portugal. Há, diz a DGS, 24.322 pessoas infetadas. O número de internados é de 936, sendo que 172 estão em unidades de cuidados intensivos. Os recuperados são 1389.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou entretanto que não será renovado, a partir do início do próximo mês, o estado de emergência, sem que no entanto existam motivos para que não se tomem cuidados preventivos.

A mesma opinião acabou por ser partilhada pelo secretário de Estado da Saúde, António Sales Lacerda, que enalteceu todos os cuidados que têm sido tomados, mas deixou um aviso: “Não podemos descurar uma eventual segunda vaga”.

Sobre os testes de despistagem da doença, a diretora da DGS, Graça Freitas, anunciou que de momento se fazem no país cerca de 12.800 por dia. A mesma responsável salientou que atualmente, para que alguém seja declarado como livre da doença, basta que tenha acusado negativo num só teste.

A Portugal continuam, entretanto, a chegar diversos equipamentos de proteção individual, nomeadamente máscaras, batas, luvas e toucas.

Numa altura em que em todo o país mais de 95 mil empresas já solicitaram o lay off simplificado, crescem também alguns índices de criminalidade. A PSP disse hoje que, por exemplo, os assaltos registados na região de Lisboa a cafés, lojas e fábricas, quase todos cometidos por arrombamento, aumentaram, entre o meio de março e o início de abril, em cerca de 20 por cento, atingindo as 162 ocorrências.