Pouco passava das oito da manhã desta sexta-feira quando, sem aviso prévio, a retroescavadora avançou pelos terrenos do bairro clandestino da Quinta da Parvoíce, deitando a baixo, para já, seis casas não habitadas.
As habitações clandestinas instaladas na Quinta da Parvoíce, em Setúbal, começaram esta manhã a ser demolidas. Sob o olhar atento de cerca de uma dezena de agentes da PSP a retroescavadora e os técnicos do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana deram início ao processo que, segundo o advogado Guerra Henriques só incidirá, para já, nas habitações devolutas.
“Falei, esta manhã, ao telefone com a presidente do IHRU e ela garantiu-me que todas as casas que tenham o menor sinal de estar habitadas não serão demolidas. Mas não deixa de ser lamentável que isto esteja a acontecer, quando nós apresentámos uma providência cautelar para adiar este processo. Mas os tribunais andam mais devagar que as máquinas”, lamentou à nossa reportagem.
A demolição chegou a estar agendada para a última segunda feira, segundo um edital do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), mas a intervenção da comunicação social, igreja, entidades sociais e partidos políticos permitiu “ganhar tempo”, que, sabe-se hoje, foi insuficiente.
O Padre Constantino, responsável da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que tem acompanhado de perto as cerca de 20 famílias do bairro, fala num “escândalo” que “deve envergonhar toda a gente”.
“Isto é um escândalo de Setúbal e para Setúbal. Para a Câmara, para segurança social, para a junta de freguesia e outras entidades cujo silêncio deixa muito a desejar”. Esta pessoas “têm direito a respostas e têm direito a habitação condigna”, realçou o pároco
Esta manhã foram demolidas seis habitações, onde se comprovou não residir ninguém, e “a máquina vai sair daqui”, afiançou o advogado Guerra Henriques que vai reunir, na próxima semana, com o Bispo de Setúbal e a presidente do IHRU.
“Tem que se resolver um problema que toda a gente sabe que existe, mas de que ninguém quer falar”, evidenciou.
O Semmais sabe que o assunto já terá chegado ao conhecimento da secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, que prometeu “acompanhar a situação”, comprometendo-se com o não despejo das famílias. “Para já, parece que ganhámos tempo, porque está criado um grupo de trabalho há cerca de dois anos para que se encontre um desfecho condigno para a vida destas pessoas”, reafirmou ao Semmais, o padre Constantino Alves.





