Quercus quer ordenamento do estuário do Tejo

Os ambientalistas dizem que os estuários não devem ser sobrecarregados com obras e dão o exemplo negativo do Sado.

A associação ambientalista Quercus defende que o Estado tem de fazer uma abordagem estratégica em torno do estuário do Tejo, considerando como “fundamental” a existência de planos de ordenamento para que se evite “a tendência de se querer compatibilizar à força todo o tipo de atividades nos estuários, como acontece, por exemplo, no Sado”.

A posição da Quercus, expressa através de comunicado, surge na sequência do anúncio governamental de não construir no Barreiro um terminal de contentores que, há vários anos, vinha sendo equacionado e que agora acabou por ser definitivamente descartado depois de reprovado numa declaração de impacte ambiental.

No mesmo documento, os ambientalistas referem ainda que, independentemente de o novo aeroporto complementar à Portela ser construído no Montijo ou não, o terminal de contentores nunca deveria ter sido projetado para o Barreiro.

“É necessário evitar a descoordenação no planeamento de grandes obras públicas, mas sobretudo ter uma abordagem estratégica e alargada, quer ao nível da Área Metropolitana de Lisboa em torno do estuário do Tejo, quer a nível nacional, refere a associação.

Os ambientalistas salientam ainda que já em 2015 se haviam manifestado contra o projeto do Barreiro, referindo a existência de um passivo ambiental em termos de resíduos e de utilização industrial de várias décadas.

Tal como é notícia na edição de amanhã, 7 de março, do Semmais, o Governo acabou por anunciar, quinta-feira, o abandono do projeto do terminal de contentores para o Barreiro, decisão que, de resto, também não foi contestada pelo município local, com o vereador Rui Braga a afirmar que os terrenos poderão ser utilizados para a instalação de empresas que se venham a surgir na margem Sul do Tejo devido à construção do aeroporto no Montijo.