Artistas alertam para “escassez” de equipamentos de proteção no distrito de Beja

Seis artistas do distrito de Beja, entre os quias António Zambujo e Filipe La Féria, alertaram para a “situação aflitiva” na região devido à “enorme escassez” de equipamentos de proteção individual (EPI) em instituições para combate à covid-19.

O alerta, enviado à Lusa, é feito pelo músico António Zambujo, a atriz Custódia Gallego, o fadista Francisco Sobral e pela cantora Tonicha, de Beja, pela atriz Eunice Muñoz, de Amareleja (Moura) e pelo dramaturgo e encenador Filipe La Féria, de Aldeia Nova de São Bento (Serpa).

Segundo os artistas, o Baixo Alentejo vive uma “situação aflitiva”, porque “o hospital de Beja, as casas de saúde, os lares e os bombeiros” da região “não têm equipamentos de proteção individual, segundo as normas da Direção-Geral da Saúde, para darem resposta ao combate à Covid-19”.

As instituições “encontram-se numa situação de enorme escassez” de EPI, lamentam, frisando tratar-se de “uma realidade que não pode ser ocultada”.

Em declarações à Lusa, Filipe La Féria explicou que os seis artistas quiseram “aproveitar a influência” que têm para “alertarem” para a “situação aflitiva” vivida na região onde nasceram e “fazerem um apelo público” às autoridades competentes para “ajudarem” as instituições que vivem “diariamente com cada vez mais dificuldades”.

Embora o Alentejo seja a região de Portugal continental “com menos incidência” de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença Covid-19, “há muitos casos” de instituições com “uma enorme carência” de EPI para “fazer frente” à pandemia, frisou Filipe La Féria.

Contactada pela Lusa, a presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), Conceição Margalha, disse que a informação relativa à escassez de EPI para combate à Covid-19 no hospital de Beja, “neste momento, não corresponde à verdade”.

Conceição Margalha explicou que a ULSBA, que gere o hospital de Beja, está a receber semanalmente EPI da Reserva Estratégica de Medicamentos do Ministério da Saúde. “Temos (ULSBA) `stock` para poucos dias, mas, semanalmente, é reforçado o `stock`, através da reserva nacional e, portanto, neste momento, não posso dizer isso (que haja escassez de EPI no hospital de Beja)”, afirmou Conceição Margalha.

Questionada pela Lusa sobre se a ULSBA tem EPI necessários para combate à covid-19, Conceição Margalha respondeu: “Neste momento, tem, agora estas coisas modificam-se de um momento para o outro”.

Recorde-se que a 7 deste mês, os 15 corpos de bombeiros do distrito de Beja admitiram recusar transportar utentes suspeitos e doentes com Covid-19 por falta de condições, sobretudo EPI, e de apoios de várias entidades, o que “coloca em risco a segurança” dos seus profissionais.

A Lusa tentou, sem sucesso, falar com Tiago Abalroado, o interlocutor designado pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade para integrar a estrutura de coordenação das medidas de combate à pandemia de Covid-19 no Alentejo.