Utentes do Seixal concentram-se pela retoma da atividade assistencial na saúde

Deixaram de se fazer consultas presenciais e de marcar consultas de especialidade há oito meses.

A Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal convocou uma concentração e um debate para sábado de manhã, em defesa de uma retoma efetiva da atividade assistencial nos hospitais e centros de saúde, foi esta sexta-feira anunciado.

“É uma situação que vem acumulada há oito meses. Deixaram de se fazer consultas presenciais, deixaram de marcar consultas de especialidade, e a retoma que se está a fazer é muito lenta e já há excesso de mortalidade não covid-19”, disse à Lusa José Lourenço, membro da comissão.

Segundo o representante, este é um dos principais motivos para a realização da concentração, que está marcada para sábado, às 10h00, no Parque da Quinta dos Franceses, no Seixal, no distrito de Setúbal.

“Os rastreios do cancro da mama ou do colo retal praticamente são inexistentes de há uns meses para cá”, apontou.

Neste sentido, apesar de considerar que a pandemia da covid-19 “é uma situação grave”, defendeu que não se pode continuar a “compactuar com a inércia e a desculpa que é por causa da covid”, pelo que o país deve “olhar para a frente e fazer o que é necessário”.

Além disso, mais uma vez, os utentes pretendem alertar para os “atrasos sucessivos com o Hospital do Seixal”, uma vez que o lançamento do concurso para a construção já foi adiado por duas vezes pelo Governo.

“O Hospital do Seixal não é um capricho, nunca foi, é uma necessidade e está superiormente identificada como uma necessidade da população dos concelhos do Seixal, Almada e Sesimbra”, frisou.

Em 12 de outubro, o Governo informou que vai atribuir em 2021 uma verba de 5,5 milhões de euros para lançar o concurso do Hospital de Proximidade do Seixal.

Nesta concentração e debate, segundo José Lourenço, também não ficará esquecido o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que continua “com vários problemas a nível das urgências”, estando a completar um ano do encerramento da urgência pediátrica no período noturno.

“O que nós esperamos é que as entidades governamentais, nomeadamente o Ministério da Saúde ou o senhor primeiro-ministro olhem para nós, ouçam a voz da população que representam, para o qual foram eleitos, de forma a arranjar soluções para as servir”, justificou.

De acordo com o representante, serão asseguradas todas as condições de segurança necessárias para a realização da concentração, nomeadamente “o distanciamento de pelo menos dois metros, num local ao ar livre”.

Segundo a comissão de utentes, o movimento já tem a confirmada a presença do presidente da câmara municipal do Seixal, Joaquim Santos, e também de alguns presidentes das juntas de freguesia do concelho.

“É muito importante esta presença, porque são os eleitos locais, são quem representa a população e o facto de estarem presentes indica que isto é uma luta unitária, que toda a população está unida”, mencionou.