Distrito de Setúbal regista infeções na PSP e nos CTT, onde os profissionais não estão a ser testados

Tanto na PSP como nos CTT da região há registo de vários casos positivos. Os sindicatos falam mesmo em “dezenas” de infeções e acusam as direções de não agirem preventivamente.

Os polícias e carteiros da margem Sul continuam sem fazer testes de rastreio à Covid-19. Mesmo quando são detetados casos positivos, apenas alguns elementos são submetidos à despistagem. Ao todo não é possível adiantar quantos elementos das duas profissões estão contaminados. As estruturas sindicais dizem apenas que “são muitas dezenas”.

O Semmais sabe que os casos mais recentes, detetados este mês, na PSP e nos CTT reportam-se a um polícia da esquadra de Santa Marta de Corroios, que chegou a estar internado durante 10 dias no Hospital Curry Cabral, e a um funcionário do Centro de Distribuição Postal da Costa da Caparica, no concelho de Almada.

Contactado pelo nosso jornal, o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol), Armando Ferreira, disse que há esquadras onde, quando é detetado um caso positivo, apenas “um ou outro polícia é submetido ao teste”. “Pode ser testado o colega do lado, mas os restantes não se submetem a qualquer exame”, disse. Do mesmo modo que, adiantou ainda, “a distribuição de máscaras continua a ser insuficiente, ao ponto de serem os polícias quem compra cerca de 90 por cento das mesmas”.

“Continua a não haver distribuição diária e individual de máscaras aos elementos da Polícia de Segurança Pública. O acesso a determinado tipo de máscaras, que estão no próprio local de trabalho, só pode ser feito mediante autorização superior e quando haja a suspeita de que os agentes vão contactar alguém está infetado”, adiantou o presidente do Sinapol.

Na PSP, de acordo com informação recente da direção, havia, em todo o território, 67 polícias infetados, sendo que um deles é o próprio diretor nacional, o superintendente Magina da Silva.

Também entre os funcionários dos CTT foi confirmada a não realização de testes de despistagem. De acordo com o secretário-geral do Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, José Arsénio, a situação não tranquiliza os profissionais do setor e nem sequer os utentes dos serviços. “Sentimo-nos quase que abandonados. A empresa podia deixar de continuar a empurrar as responsabilidades para a Linha de Saúde 24 e promover a realização de rastreios”, afirmou.