Hospitais do distrito com 112 doentes internados e taxa de ocupação de 85%

Com o galopar do número de infeções, os quatro hospitais públicos da região estão a gerir camas e a preparar-se para a fase três da contingência. Estão internados 112 doentes. Os últimos dados por concelho, entre 28 de setembro e 26 de outubro, dizem que o distrito registou mais 2.285 casos.

Os quatro hospitais do distrito contavam na última quinta-feira com 112 doentes internados, 107 destes no Garcia de Orta (Almada), Nossa Senhora do Rosário (Barreiro) e S. Bernardo (Setúbal). Os restantes cinco acamados na unidade do Litoral Alentejano.

Segundo as fontes oficiais do Semmais, neste conjunto de doentes, os hospitais da península contam ainda com 9 pessoas na Unidade de Cuidados Intensivos (dois dos quais a precisar de ventilador) e duas outras em hospitalização domiciliária. A unidade do Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) tinha apenas um internado na UCI.

Este afluxo de infetados com a Covi19 está a preocupar os responsáveis de cada uma desta unidades hospitalares, sobretudo no Garcia de Orta e no Nossa Senhora do Rosário (Centro Hospitalar Barreiro/Montijo), uma vez que “todas as indicações e estudos de que dispomos dizem que a situação tende a piorar, e muito”, confessou ao Semmais uma fonte do Garcia de Orta.

Para já, de acordo com a Administração Regional de Saúde Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), os treze hospitais da grande região de Lisboa, onde se incluem os hospitais da margem Sul, “estão a trabalhar em rede, com taxas de ocupação de 85% em enfermaria e em cuidados intensivos”, num total de 645 doentes, 549 em enfermaria, 94 em UCI e dois hospitalizados no domicílio.

A ARSLVT classifica esta fase como “o início do segundo de três níveis de contingência”. Mas há capacidade de expansão, nomeadamente quando for acionado o terceiro nível, com uma lotação de afetação de camas à Covid19 nesta rede de 13 hospitais a um máximo de 917 camas de enfermaria e mais 185 nos cuidados intensivos.

E para acompanhar a resposta ao quase certo crescimento desta vaga, os responsáveis da ARSLVT admitem o recurso a hospitais privados e outros expedientes, até porque a atividade hospitalar corrente também tem que ser tida em conta. “Cada hospital tem autonomia para organizar a resposta a dar aos seus serviços, embora caiba-nos promover a articulação entre as diversas instituições da região”, explica Luís Pisco, o presidente da ARSLVT, lembrando um conjunto largo de medidas já em curso, de modo “a procurar atender a todas as necessidades” neste contexto de pandemia.

– Distrito de Setúbal, situação epidemiológica COVID-19, casos confirmados por 1.000 habitantes a 25 de outubro

Fonte:
https://covid19.min-saude.pt/relatorio-de-situacao/(extraído a 26.10.2020)
PORDATA, População residente, estimativas a 31 de Dezembro: total e por grupo etário(2018)

 

Números no distrito disparam no espaço de um mês

Com um crescendo da contabilidade referente ao número de infeções em toda a região, o distrito apresentava, à data de 26 de outubro (último relatório por concelho da DGS), 7.429 casos confirmados desde o início da pandemia, registando-se em relação a 28 de setembro, um aumento de 2.285 casos, equivalentes a uma subida de 44,4%.

No que se refere à estratificação por concelhos (ver quadros), na península de Setúbal o maior crescimento, em média, verificou-se em Palmela (81,6%), Alcochete (60,6%) e Almada (54,2%), registando-se no quadro da península um aumento de 2.192 casos (44,8%).

Já nos quatro concelhos do Litoral Alentejano que fazem parte do distrito registou-se um aumento de 93 casos (36,9%), sendo que Grândola teve a maior subida (65,3%).

Segundo Paulo Lourenço, o investigador social que colabora com o Semmais nas análises da evolução epidemiológica do vírus na região, o número de casos por 1.000 habitantes no distrito apresenta, neste momento 8,7 casos, destacando-se na península o concelho da Moita com 12,1 casos e, no Litoral Alentejano, Alcácer do Sal, com 6,3 casos por mil habitantes.

Em relativo aos dados da pandemia na região, continuam a ser os concelhos de Almada e do Seixal os mais afetados, representando cerca de 52,3% do total de casos confirmados na península.

Desde agosto estão no terreno oito equipas multidisciplinares da ARSLVT, criadas no âmbito do combate à Covid-19. Almada, com três equipas, Seixal, com duas, e Barreiro, Moita e Setúbal com uma, são os concelhos com esta ação a decorrer. Segundo dados apurados pelo Semmais, estas equipas, que visam o contato de rua e visitas a agregados familiares, de modo a “sensibilizar para as medidas de prevenção da doença e encontrar soluções para quem necessita de apoio alimentar e de realojamento”, são compostas por várias entidades da saúde e proteção civil, sendo que já produziram 558 contatos diretos.

 

– Distrito de Setúbal, situação epidemiológica COVID-19, variação mensal, outubro 2020

Fonte: https://covid19.min-saude.pt/relatorio-de-situacao/ (extraído a 30.10.2020)