Não há surtos nas cadeias da região, mas guardas temem caos pós precárias

Guardas prisionais dizem que a principal preocupação é a falta de espaços para manter em isolamento todos os presos que regressam em dezembro e janeiro.

As saídas precárias de reclusos durante os períodos de Natal e Ano Novo podem gerar novos surtos dentro das cadeias de todo o país e, em consequência, nas três do distrito de Setúbal que, até ao momento, têm escapado à propagação da Covid-19, a qual já atinge em todo o território nacional mais de 350 presos e 84 funcionários da Direção Geral dos Serviços Prisionais.

Em declarações ao Semmais, o presidente da Associação de Chefias do Corpo da Guarda Prisional, Hermínio Barradas, disse que este organismo já avisou a tutela e a Direção Geral dos Serviços Prisionais para o “imenso risco” que é promover a saída precária de “centenas de reclusos” (serão, previsivelmente, um mínimo de 500) nas semanas de Natal e Ano Novo. “Tal como aconteceu na Páscoa, em que a Associação de Chefias também alertou para os riscos, existe agora a real hipótese de muitos reclusos voltarem contaminados e, num ápice, alastrarem novos surtos por todas as cadeias do país”.

Para o dirigente sindical, apesar de as saídas precárias serem um “direito resultante de uma benesse”, as mesmas não são, neste momento, bem aceites entre os guardas prisionais. “Toda a gente sabe, e até os presos reconhecem, que existe um perigo real e que é melhor prevenir do que estar depois a tentar arranjar soluções que atualmente não existem no sistema prisional”.

 

Reclusos estão a colaborar com as medidas sanitárias impostas

Essas soluções passam, sobretudo, por arranjar espaços de isolamento em todos os estabelecimentos prisionais. Os guardas prisionais alertam para o facto de, tal como já aconteceu há meses, não ser aconselhável juntar em espaços reduzidos todos os presos que regressarem das precárias.

“Pelas informações que têm chegado à Associação, a generalidade dos presos, não só no distrito de Setúbal, mas em todo o país, estão a acatar bem as medidas impostas para tentar impedir a pandemia”, acrescentou Hermínio Barradas. Essas medidas passam pela redução dos períodos de recreio, que agora são apenas de duas horas diárias e seccionadas, de modo a evitar grandes ajuntamentos nos pátios. As visitas estão proibidas e apenas os advogados, mediantes rigorosas medidas de segurança, entre as quais a utilização de fatos protetores especiais, pode entrar nas cadeias. “Os reclusos têm perfeita noção de que o que está em causa é a própria saúde e segurança”, concluiu o dirigente sindical.

No distrito de Setúbal, onde existem três estabelecimentos prisionais, o do Montijo é, claramente, aquele onde existirão maiores dificuldades para promover o isolamento, de pelo menos 14 dias, dos reclusos regressados. Em Pinheiro da Cruz a lotação está praticamente preenchida, já em Setúbal a situação é completamente diferente, pois a cadeia já está em processo de “desaceleração”, uma vez que irá ser desativada em breve, havendo já redução do número de presos e até das medidas de gestão.