Setúbal é o terceiro distrito com mais crimes contra mulheres

O número de participações baixa com os períodos de confinamento e aumenta logo que estes terminam. Cerca de 80 por cento dos crimes de violência doméstica são cometidos contra mulheres.

O crime de violência doméstica é o mais participado em todo o distrito de Setúbal, tendo atingido no ano passado, conforme consta do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), mais de 14 por cento em relação a todas as participações ali registadas.

Este ano, até 14 de novembro, segundo os dados preliminares do Observatório das Mulheres Assassinadas, integrado na União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) já foram assassinadas quatro mulheres, número que a nível nacional, só é igualado por Lisboa.

“Uma em cada três mulheres, em Portugal, é vítima de violência doméstica. Essa mesma percentagem é aplicável ao distrito de Setúbal que, de acordo com todas as estatísticas oficiais, é o terceiro mais violento do país, só sendo ultrapassado por Lisboa e Porto”, disse ao Semmais a dirigente da organização Feministas em Movimento, Elisabete Brasil.

A mesma responsável afirma que na região a violência contra as mulheres “não é muito diferente daquela que é registada no resto do país”, salientando, no entanto, que “este é um ano atípico”. “O que temos constatado é que as participações feitas por mulheres têm diminuído durante os períodos de confinamento e que aumentam logo depois de estes terminarem”, adiantou.

 

Violência doméstica é o crime mais participado no distrito

Na semana em que se assinala o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (25 de novembro), tanto as Feministas em Movimento como a UMAR são unânimes em considerar que, no distrito, os maus tratos a mulheres (sejam agressões ou até mesmo homicídios) são problemas criminais que se sobrepõem a outro tipo de delinquência.

“Aquilo que as estatísticas nos mostram é que uma em cada três mulheres portuguesas sofre de violência doméstica e que, extrapolado esse número para a realidade do distrito (de Setúbal) a realidade não é muito diferente do que se regista a nível nacional”, alegou Elisabete Brasil.

O RASI de 2019 refere, por sua vez, que no nosso território, as participações relativas a crimes de violência doméstica foram 2.829, correspondendo as mesmas a 14,2 por cento de todas as que ali foram participadas às várias forças policiais.

Elisabete Brasil considera, contudo, que a violência contra as mulheres não é algo que aconteça apenas em algumas classes sociais ou em determinados grupos etários. “É transversal e nada tem a ver com raça, escalão etário, classe social ou qualquer outro parâmetro. É típico de uma sociedade conservadora e patriarcal que, no entanto, pelos números facultados, tem como vítimas cerca de 80 por cento de mulheres”, afirma.

Nos tribunais do distrito, no ano passado, ainda de acordo com o último RASI, foram iniciados 1238 inquéritos por violência doméstica, tendo sido concluídos 955. As estatísticas oficiais dizem que, tendo em consideração cada milhar de habitantes, a média nacional é de 2,8 casos. No distrito de Setúbal é, no entanto, de 3,3, número este que apenas é suplantado por Faro, com 3,6.