A câmara municipal pretendia a instalação de um cais de embarque provisório durante as obras e insinuou que a empresa poderia destruir vestígios romanos.
A Transtejo, que está a proceder à instalação de um novo pontão de embarque no Cais do Seixal, nega que os trabalhos em curso desrespeitem as regras da Direção Geral do Património Cultural e que estejam a colocar em risco património arqueológico romano, conforme foi argumentado pela câmara.
Os trabalhos de melhoramento do Terminal Fluvial do Seixal iniciaram-se a 26 de outubro. Logo nessa ocasião o município seixalense protestou pelo facto de, em lugar de ter sido construído um cais alternativo provisório, a empresa tenha optado por suspender todas as operações naquele local e decidido pela utilização de autocarros que, diariamente, passaram a transportar os passageiros dos barcos até Cacilhas. Na mesma altura a edilidade, por intermédio do presidente Joaquim Santos, acusou a transportadora de não cumprir os requisitos relativos à preservação dos vestígios arqueológicos nas proximidades da Zona Geral de Proteção da Quinta da Trindade, classificado como sítio de interesse municipal, bem como do Terraço Paleolítico da Quinta da Trindade e da Ponta do Mato.
Num documento que a Direção Geral do Património Cultural enviou à câmara, a que o Semmais teve acesso, é salientado que “a sensibilidade arqueológica desta zona é elevada pelo potencial arqueológico para preservação de contextos portuários, náuticos e subaquático, associados à longa diacronia de ocupação da faixa ribeirinha do Seixal desde a época pré-histórica, e à relevância patrimonial que esta região detém no âmbito da construção naval. Pelo que se presume que possam existir vestígios arqueológicos ainda não relocalizados ou conhecidos na área de interesse de análise”. “O Seixal possui um valioso património que precisa de ser preservado”, acrescentou Joaquim Santos.
Empresa afirma que obra respeita todas as normas da legislação
Em resposta a uma solicitação do nosso jornal, a Transtejo diz que “na obra de manutenção e recuperação das condições de navegação e atracação em curso no Terminal do Seixal, nunca esteve em causa qualquer intervenção suscetível de ser enquadrada como ameaça à proteção do património”. A empresa adianta também que “respeita escrupulosamente, como não poderia deixar de ser, toda a legislação sobre navegação, ambiente e também preservação de património cultural”.
“A obra marítima, que abrange uma área total de 450 metros quadrados, não é compatível com a operação fluvial, pelo que a empresa foi forçada a suspender a atracação, na ligação Seixal – Cais do Sodré, pelo período estimado de 45 dias”, disse ainda a Transtejo em resposta aos protestos da autarquia por não ter sido construído um cais de embarque provisório.
Atualmente, os trabalhos de retirada do antigo pontão de embarque e desembarque de passageiros encontram-se concluídos, estando em curso a fase de preparação e colocação das estacas que permitem a instalação do novo pontão.
Apesar do transporte rodoviário, que numa primeira fase terá servido para assegurar a deslocação diária de 2.400 pessoas (número esse que depois decaiu em consequência das restrições relacionadas com a pandemia de Covid-19) a Transtejo disse também ao Semmais que as ligações fluviais a Lisboa (via Cais do Sodré) estão asseguradas através da utilização de barcos a partir de Cacilhas.






