Falta de docentes acentua-se no Barreiro, Almada, Seixal e Setúbal

Corpo docente envelhecido também contribui para que o distrito seja dos mais afetados a nível nacional, onde faltam preencher cerca de 500 horários e existem cerca de 30 mil alunos afetados.

Os concelhos de Barreiro, Almada, Seixal e Setúbal são dos mais carenciados de professores e com mais alunos ainda sem aulas. Integrados na Área Metropolitana de Lisboa (AML), que juntamente com os distritos do Porto e Faro são os locais onde o problema da falta de docentes é mais acentuada, estes quatro municípios apresentam, sobretudo, altos custos de alojamento, os quais fazem com que muitos profissionais recusem ali trabalhar. Muitas vezes, o ordenado auferido quase não chega para pagar um quarto.

Em declarações ao Semmais, o presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), José Feliciano Costa, disse que, de momento, não existem números concretos relativos à falta de professores no distrito de Setúbal, sendo um facto que esse é um dos problemas mais prementes. “O que temos são dados nacionais, os quais apontam para a falta de preenchimento de cerca de 500 horários, situação que afeta entre 25.000 e 30.000 alunos. Podemos extrapolar estes valores nacionais tendo em conta que a AML é a área mais afetada e que os concelhos de Setúbal são das zonas do país com maior número de escolas e, em consequência, serão dos mais penalizados”, afirmou

O sindicalista avançou ter conhecimento de diversas escolas onde há turmas que ainda não tiveram determinadas disciplinas desde o início do ano, sendo que noutros casos os professores destacados acabam por sair ao fim de pouco tempo. “Os horários por preencher são sempre muito variáveis. Agora podem ser 500, na próxima semana descem para 300 e depois sobem para 600. Variam consoante a disponibilidade dos docentes”, explicou.

 

Corpo docente envelhecido contribui para o vazio dos horários

José Feliciano Costa adiantou, por outro lado, que o corpo docente português é o mais envelhecido da Europa, situação que também pode contribuir para o enorme vazio no preenchimento de horários. “Quanto mais velhos, mais possibilidades existem de meterem atestados médicos, mas não é tudo. É que os professores mais antigos têm, legalmente, redução do horário letivo, sendo que passam a desempenhar outras tarefas de apoio. Quando eles faltam, essas mesmas tarefas passam também a ser desempenhadas pelos que foram contratados para cumprirem horários de 12, 13 ou 14 horas de aulas. Estas pessoas passam assim a ter dois trabalhos pagos pelo preço, muitas vezes irrisório, de uma só”, acrescentou o responsável sindical.

O presidente do SPGL disse, por fim, que tanto na AML (que tem cerca de 40 por cento dos alunos, professores e escolas do país) como no Porto e em Faro, onde apesar de haver menos população os preços são dos mais elevados, há grandes dificuldades para fixar professores contratados, sendo que muitas vezes o aluguer de um quarto para residir chega a custar entre 700 a 900 euros, que é quase tanto quanto o valor do vencimento.