Quebras a pique na restauração, hotelaria e comércio de rua da região de Setúbal

Estudo da CIP reflete e realidade da maioria das pequenas e microempresas do distrito de Setúbal. AISET reclama suspensão e adiamentos de pagamento da taxa social única.

A generalidade das empresas portuguesas diz que teve, entre janeiro do ano passado e o mesmo mês deste ano, cancelamentos de encomendas na ordem dos 44 por cento. A situação no distrito de Setúbal, mesmo sem números específicos conhecidos, deve rondar os mesmos valores. Para a Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET) está-se em presença de “um grande arrefecimento da economia” que só não terá consequências catastróficas em termos de desemprego caso sejam alteradas as atuais medidas de apoio.

“A hotelaria, o turismo e o comércio de rua são as atividades mais atingidas. Já as grandes empresas, que não foram obrigadas a encerrar ou suspender a laboração nos períodos mais complicados da pandemia, não sofreram danos financeiros de maior. Algumas mantiveram o volume de negócios e outras até o aumentaram”, explicou ao Semmais o diretor da AISET, Nuno Maia.

Para o mesmo responsável, tal como aferiu da leitura de um relatório da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) – a mesma entidade que após um inquérito nacional deu conta dos problemas de gestão e empregabilidade nas empresas -, são os setores da restauração, da moda e do restante comércio de rua que se encontram em maior perigo. Na restauração, recorde-se, o distrito de Setúbal tem vindo a sofrer sucessivos encerramentos, estimando-se que os funcionários deste ramo (muitos deles com vínculos precários) correspondam a quase metade dos novos desempregados na região.

 

AISET defende revisão da política de apoios às empresas

O inquérito da CIP diz também que um terço das empresas nacionais (extrapolação que pode ser feita para o nosso distrito) pondera proceder a despedimentos no primeiro trimestre deste ano. A mesma percentagem refere, aliás, que os primeiros três meses de 2021 acarretam prejuízos significativos nos diversos ramos de atividade.

O responsável da AISET entende que, atualmente, “são insuficientes os apoios” para as empresas que têm sofrido decréscimos de produção devido à pandemia. “São necessárias medidas enérgicas, sob pena de, nos próximos meses, termos consequências sociais muito graves”, disse ao nosso jornal.

Nuno Maia entende que a primeira medida que o Governo deve tomar para travar o desaparecimento de um sem número de empresas passa “por suspender temporariamente o pagamento da taxa social única”. “Não vale de nada estar a adiar o pagamento de taxas, se depois esse mesmo valor tem de ser pago alguns meses mais tarde. Isso não ajuda as empresas, mas apenas adia os problemas. Do mesmo modo é preciso salientar que as linhas de crédito nunca chegam para suprir os prejuízos acumulados”, acrescentou.