Corsos parados afundaram ainda mais a economia local e entristeceram o distrito

Cores, ritmos e folias ficaram adiadas para 2022. As ruas encheram de nostalgias e vazios e os prejuízos calculam-se de muitos milhões. 

Prejuízos avultados no comércio, restauração e hotelaria, gente triste e avenidas vazias e sem colorido. Foi este o cenário possível do Carnaval de 2021 que não saiu à rua no Montijo, Sesimbra e Sines, por causa da pandemia. Escolas de samba e grupos de foliões revelam tristeza e admitem que a esperança é a última a morrer, prometendo voltar para o ano, com mais garra e alegria.

Fernando Belo, da Associação Somos Peixinho – que faz parte da organização do Carnaval do Montijo em parceria com o município e outros grupos -, refere ao Semmais que o sentimento de tristeza foi “enorme” pelo facto do corso não sair à rua depois de ter sido reativado, com sucesso, há quatro anos pelo município. “Tivemos de abdicar da nossa diversão em prol de um bem maior, que é ultrapassarmos esta pandemia. Seria muito complicado controlar os comportamentos das pessoas na rua e um enorme risco de saúde pública”, disse.

“Como cidadãos conscientes não poderíamos de maneira nenhuma organizar o Carnaval este ano. Esperamos que, com a vacinação e com todas as medidas que estão a ser tomadas, isto passe o quanto antes para podermos retomar um grande Carnaval em 2022”, acrescentou.

Contudo, para que o Carnaval do Montijo fosse relembrado, os grupos de foliões postaram nas redes sociais várias imagens de desfiles anteriores, que deram lugar a “reações de tristeza, mas, ao mesmo tempo, de esperança no sentido de podermos voltar a ter Carnaval e turistas para proporcionar alegria e um balão de oxigénio ao comércio local”. Fonte do município estima que o prejuízo ultrapasse 1 milhão de euros para os comerciantes.

 

Eventos online tentaram suprimir a ausência da folia

Já Maria de Jesus Aldeia, presidente do Grupo Recreativo Escola de Samba Bota, diz que o Carnaval de Sesimbra foi assinalado com vários eventos online, não escondendo a sua dor por uma pandemia que tem tirado a vida a milhares de pessoas. “Na nossa página de Facebook promovemos alguns diretos e brincadeiras com outras escolas de samba e com os nossos sócios. Falámos sobre o nosso trabalho ao longo dos últimos anos e como estamos a viver este tempo de pandemia”, conta, acrescentando que “quem gosta de samba e quem participa há 45 anos no Carnaval de Sesimbra”, como é o caso do GRES Bota, só pode ficar “triste” por não ter Carnaval com turistas e comércio local aberto. “Gostamos de contribuir para que a vila esteja animada, mas este ano é uma pena ver a terra sem vida”, sublinha.

Quem colocou o Carnaval na Avenida, literalmente, foi a empresa Salamaleques, que gere a unidade de alojamento Casa da Praça, junto à avenida onde decorrem os desfiles, com a exposição de figurinos coloridos das seis escolas de samba e dos dois grupos de foliões nas janelas do hotel. A gerente Susana Barros encara a iniciativa como “uma homenagem aos foliões que, no ano passado, ajudaram a encher os quartos com turistas. É uma forma de mostrar que as escolas de samba são importantes porque trazem alegria e turismo à vila”.

Por seu lado, Mariana Vilhena, do grupo folião Ferro & Fogo, que entra no corso carnavalesco desde 2014, confessa que foi “completamente desolador” ver este ano a cidade de Sines “vazia”. Contudo, diz que a esperança é a última a morrer. “Melhores dias virão e espero que consigamos ultrapassar esta pandemia terrível”. Apesar dos festejos carnavalescos não saírem à rua, os elementos do grupo divertiram-se com “videochamadas” e, por outro lado, organizaram ações solidárias em prol dos médicos e enfermeiros.

Rui Encarnação, presidente da Associação do Carnaval de Sines, revela que os prejuízos rondam os 50 mil euros. “Ainda temos uma dívida para saldar de 100 mil euros deixada pela anterior direção da associação”, atira.