Dinâmica dos ginásios do distrito travou a fundo

Nos ginásios do distrito, o cenário é crítico e os proprietários anseiam pela reabertura dos espaços. O Semmais falou com alguns profissionais da área que tiveram de encerrar o negócio temporariamente ou, até mesmo, adiar a inauguração.

Há dois meses que os espaços dedicados ao exercício físico voltaram a encerrar por tempo indeterminado, no cumprimento das medidas extraordinárias de combate à pandemia. Em Setúbal, o Complexo Desportivo Municipal Supera, na Praça de Portugal, previa inaugurar no primeiro trimestre de 2020, mas a previsão foi por “água abaixo”. “A pandemia alterou tudo e tivemos que nos adaptar à conjuntura. Temos tudo pronto para quando poderemos abrir”, conta Roberto López Gómes, responsável de comunicação do espaço que será o segundo do grupo Supera no país, ainda sem data para abertura na cidade sadina.

Na Charneca da Caparica, os dois “Aquafitness”, a funcionar desde 2000, foram outros dos clubes do distrito a sentir os impactos da Covid-19. As quebras de faturação rondam os 76%, em relação a fevereiro de 2020, e os apoios do Estado, esses, não são suficientes para se manterem inativos por muito mais tempo. “A nível de rendas, só recebemos um apoio mensal até dois mil euros, o que corresponde a 5% do valor, o que não é nada, é ridículo. Tivemos que avançar com as moratórias das rendas dos espaços. Já estamos no limite”, desabafa Paula Almeida, uma dos três sócios que gerem os ginásios.

Este é mais um desafio para a gerência, depois do primeiro confinamento que ditou uma redução significativa de clientes desde março de 2020, que passou dos seis mil para os dois mil inscritos nos dois “Aquafitness” que contava com mais de 100 profissionais, a grande maioria trabalhadores independentes. “Os trabalhadores do quadro, estão em lay-off à exceção dos gerentes que não estão abrangidos nesta medida de apoio. Até nisso o Estado não nos apoia”, disse Paula Almeida que é também operacional de desporto nos espaços.

 

Espaços aguardam reabertura em breve para não definhar

Já no Litoral Alentejano, as poupanças têm sido a única fonte de sobrevivência para o casal Joaquim Antunes e Rita Antunes, responsáveis e os únicos profissionais do X-GYM, sediado no Complexo Desportivo do município Grândola. “Em 2020 estivemos encerrados no primeiro confinamento e tentámos recuperar no resto do ano. Agora, o ginásio está fechado há mais de dois meses e tivemos de recorrer às poupanças outra vez”, partilha com o nosso jornal Rita Antunes, avançando que o ginásio começa a “entrar numa fase muito crítica” se permanecer encerrado por muito mais tempo. “Qualquer fonte em que saia água, mas não entre, começa a secar”, remata.

Segundo o presidente da Associação de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP), José Carlos Reis, os apoios que os ginásios têm recebido são muito escassos, porque a maioria dos profissionais deste setor são prestadores de serviços.

Quanto à data de reabertura destes espaços, o mesmo responsável acredita que “devemos reabrir na primeira fase do desconfinamento, porque além de sermos seguros, somos essenciais para a saúde e bem-estar físico e psíquico dos portugueses”.